Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





Arquivos:





Fale Comigo

8.6.03

 
É bom lembrar hoje !


[O que vai ser lido abaixo não é de minha lavra. Foi tirado do “site” : “Sou católico”. Mas, neste Domingo muito especial não posso deixar de usar esta referência ! Concordo com as palavras do que a seguir vai ser transcrito.
Aos que não gostarem, peço desculpas. Conforme já disse antes, este blog não é “meu” no sentido comum desta palavra!].

O dom do Espírito Santo inaugura um tempo novo na dispensação do mistério : o tempo da Igreja , durante o qual Cristo manifesta , torna presente e comunica a sua obra de salvação pela liturgia de sua Igreja .
" Chegando o dia de Pentecostes , estavam reunidos todos no mesmo lugar . De repente veio do céu um ruído como se soprasse um vento impetuoso , e encheu toda a casa onde estavam sentados . Apareceram -–lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e repousaram sobre cada um deles . Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram falar em outras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem ". Atos 2 ,1-4
Maria , sempre presente !
Maria e sua oração presente e eficaz é sempre um canal de cooperação com o Plano do Pai :
--na Anunciação – para a concepção de Jesus;
--em Pentecostes - para a formação da Igreja;
--nas bodas de Caná – intercede pelo casal junto a Seu filho (o primeiro milagre de Jesus );
--aos pés da cruz – ora como mãe , como mulher , como a nova Eva .




Moral e moralismo.


Conforme já escrevi ante: sem conexão com o Mistério, a moral pode acabar virando um tipo de moralismo, bem intencionado talvez, porém moralismo mesmo.Que sentido tem, por exemplo, minha teimosa defesa do nome que acho correto, a saber: Ministério do Ensino (ou da Escolaridade) se eu não estiver ligado ao mistério da pessoa humana ? O grande problema hoje em dia é o de haver muito mais pessoas curiosas por saber se existe ou não água em Marte e bem pouco interessadas em responderem para si próprias esta pergunta: “o que é o homem? “




posted by ruy at 11:43 da manhã

7.6.03

 
Desafiante dilema.


Diante da realidade do mundo atual, torna-se até meio ridículo repetir que vivemos imersos em uma atmosfera impregnada de informação. Estamos a par das guerras, dos desastres ambientais, dos mais recentes atentados terroristas, das reuniões políticas nacionais ou internacionais, das fofocas futebolísticas ou artísticas, dos graves acidentes aéreos, marítimos e aéreos, dos cíclicos fenômenos astronômicos, etc.
Essa atordoante pressão informativa e mais os problemas que temos de enfrentar diariamente para ganhar o pão de cada dia nos impelem a um modo de existência a que, em um post recente, chamei de: comportamento do “ciclista”.
Mas, creio que seja urgente pararmos (isto é: voltemos a “andar a pé”) para tomar uma decisão:
- vamos continuar empurrando a vida com a barriga, com medo de “cair da bicicleta” quando ela pare, ou iremos pensar seriamente, por exemplo, nisto: quem é a pessoa de Jesus Cristo para mim? O que Ele significa mesmo em minha vida ?
(Aos que ficarem aborrecidos com a maneira meio rude com que apresentei este dilema, peço que me perdoem).



O pingue-pongue cansativo.


Como cansa o relacionamento humano sem aquele triângulo de que nos tem falado o meu amigo Magno S. Jr. ... O “outro” que faz tanta falta é Alguém muito discreto. Não fica nos cobrando, a toda hora, as coisas que deveríamos ter feito. Ele tem um respeito imensurável pela nossa liberdade. Por isso é que talvez ande tão esquecido... E, por esquecê-lO, nós acabamos voltando sempre ao monótono jogo: bola prá lá, bola prá cá; bola prá lá, bola prá cá...



Santeiro de Nazareno.


A sala toda escura,
para que se veja, apenas,
a luz que sai da madeira,
cortada,
ferida,
de amor.
E peço aos teu santos, todos,
que não te deixem rico e de mão pesada.


posted by ruy at 8:57 da manhã

6.6.03

 

Volta ao começo...


De vez em quando a gente cai nas mesmas falhas já antigas. E, depois, já de cabeça fria, vem a velha pergunta: Por que fiz aquilo?
Este é o grande problema, gente. Quantas vezes nos deixamos envolver com discussões sobre política, sobre o terrível problema do nível da criminalidade, sobre as questões do nosso trabalho, etc., e, perdendo o fio da meada, esquecemos o principal: nossa viagem de volta à Casa Paterna!
Ruy, Ruy, pare de criar tanta quizumba e mantenha diariamente sua atenção voluntária sempre dirigida para aquele único que de fato merece ser chamado de Mestre! Não seja chato, Ruy!



Ouvir os sábios.


É oportuníssimo ouvir a palavra de um monge que, apesar da idade, conserva aquela forte juventude do espírito que é o apanágio dos sábios. O trecho abaixo é do livro: “Na Procura de Deus”, de Dom Lourenço de Almeida Prado, OSB (editora AGIR, 1992, Imprimatur de Dom João Evangelista Enout, OSB)).
Surgem, aqui e ali, os pregoeiros de um espiritualismo , de um cristianismo sem Igreja (e naturalmente sem compromissos ) ou de uma Igreja puramente espiritual, sem corpo, , sem visibilidade, sem ritos, sem sinais. É uma tentação desumana, que desampararia essa pobre criatura de corpo e alma que somos nós.
A Igreja de Cristo quer ser visível para continuar na Terra a sua Epifania.
Deus criou o homem, dando-lhe uma natureza social e comunicativa, e quis usar essa sua feição comunicativa para distribuir a sua salvação. Fundou a Igreja do ver e do ouvir, Igreja dos Sacramentos. Ilumina o olhar humano, aprimora o seu ouvido, para que veja e ouça além de si mesmo. Para que possamos dizer com o salmista: “In lumine tuo, videmus lumen (Sl 35).
(Como é bom ouvir a palavra da sensatez!)



Agradecimentos.


César Miranda, obrigado pelo “olá! ”que chegou em boa hora. São essas pequenas coisas que tornam nossa vida bem menos cansativa.
Alexandre, obrigado pelo incentivo ao “teimoso aprendiz de poeta.”




posted by ruy at 6:05 da tarde

5.6.03

 
Alguns retratos “tirados” sob meu ponto de vista:


China: bilhões de trabalhadores bem comportados retidos em um imenso “colégio interno”. Se algum deles faz alguma falcatrua envolvendo dinheiro (coisa que de vez em quando ocorre aqui no Ocidente), o sujeito é farisaicamente executado em um lugar bem público...;

Estados Unidos: um povo que tem muitas exemplares qualidades vivendo sob o governo de uma classe política impregnada de Iluminismo frio, arrogante e auto-suficiente.Invejado por uns, odiado por outros, o grande país do Norte de vez em quando é chamado a representar um papel de herói no mundo. Depois, faz algumas tolices;

França: sua maior riqueza é o seu passado, porém muitos de seus habitantes não se dão conta disso. Passam diariamente ao lado da catedral de Notre Dame com uma olímpica indiferença... Ganham bom dinheiro com o turismo, porém não sabem agradar o turista;

Inglaterra: tal como a França, guarda, do outro lado do Canal da Mancha, parte da riqueza histórica da Europa. Seus cidadãos vêm mantendo um comportamento de “gentlemen”.É uma pena que sua realeza tenha sido no passado perturbada por um monarca que era meio ou bastante sexo-maníaco;

Itália: no que se refere à história, a mesma característica que identificamos na França e na Inglaterra. Terra de muitos santos, mas parece ter sido, se não o berço, o asilo que acolheu a máfia. Tradicionais canções românticas e um modo de falar “cantábile” tornam muito simpático o país da bota;

Cuba: uma China em ponto pequeno,e não tão bem organizada ;

Brasil: a gente às vezes tem vontade de rir, outras de chorar. Podem ser : risos de boa alegria ou de auto-depreciação; as lágrimas podem ser de ternura, ou de raiva mesmo...Porém, a gente gosta deste país!



História do velhinho.


O velhinho chegou à estação e aborrecido viu que o trem para São Paulo já havia saído, fazia alguns minutos...Saindo, viu bem perto um táxi parado. Contou seu problema e perguntou se o motorista poderia levá-lo até a próxima estação para tentar tomar o mesmo trem. “É prá já!”, disse o moço. Mal o velhinho sentou no banco de trás, o taxista engatou a primeira, segunda, terceira e dali a pouco estava o carro na estrada, em uma região montanhosa, correndo a 80, a 90 ou mais quilômetros por hora. Curva prá cá, curva prá lá, freadas bruscas à beira do abismo. O velhinho ia de um lado para o outro, escorregando no banco como se fosse mero saco de batatas, enquanto o táxi voava. E tome curva, e tome buraco. E o velhinho jogado sobre as portas do carro: vupt, vupt !
Finalmente, o táxi chegou à estação desejada, uns cinco minutos antes do trem. Vira-se o rapaz e, sorridente, diz ao amassado passageiro:
- “O senhor viu que motorista bom?” E o velhinho:
- “E o senhor viu que velhinho duro de morrer ?”



Uma reflexão sobre tolerância.


Se a tolerância fosse a maior virtude, as casas de prostituição não seriam chamadas: “casas de tolerância.”


posted by ruy at 5:12 da tarde

4.6.03

 
Leitura de jornais.


Certa vez perguntaram a Leon Bloy qual era o jornal que ele costumava ler diariamente, como faz todo mundo, para ficar sabendo das novidades. O Peregrino do Absoluto respondeu de pronto:
“Leon Bloy não lê jornais, Leon Bloy não é todo mundo; e quando quer saber das novidades, lê as epístolas de São Paulo.”



Morte e Esperança.


O mesmo Bloy, já velho e doente, quando lhe perguntaram como estava esperando a morte, respondeu: ““Avec d’une grande curiosité !



O pescoço da girafa.


O pescoço da girafa é longo,
bem mais longo do que se imagina.
Ninguém jamais viu onde ele termina;
vai além do broto mais elevado,
além dos espaços que fitavam o siderado,
o pensativo Pascal.



A noite boa.


Noite sem receios,
sem pesadelos;
noite com tranqüila insônia,
sem a estridência do carro dos bombeiros,
inspiradora como a de Claude Debussy.
Noite com o bom adjetivo à direita do nome.



Muito simples


Basta que um santo ponha o joelho em terra,
para que volte o equilíbrio ao mundo.







posted by ruy at 2:22 da tarde

3.6.03

 
Moral e moralismo.


Acho que o primeiro compromisso de quem escreve deve ser com a verdade. Mesmo que suas palavras venham a desgostar um eventual leitor.Pensando nisso, decidi-me a colocar no papel certas reflexões que vêm me acompanhando faz algum tempo.
Posso – e talvez em alguns casos até mesmo deva – criticar os usuais comportamentos de muitos dos políticos que estão sempre ocupando o noticiário dos jornais e da televisão. Posso me referir à incoerência dos que levaram anos falando a favor de certas reformas e agora, quando estão no ambicionado Poder, tomam atitudes contrárias ao que sempre defenderam. Posso citar o cinismo de uns, a truculência de outros. Posso falar na tolerância de certos governantes que permitiram o crescimento do crime organizado em certas cidades, ou de outros que aceitaram como normal um petulante, agressivo e deletério movimento de supostos inocentes agricultores sem terra para plantar.
Posso – e até mesmo deva – criticar absurdas concessões, como por exemplo: a das chamadas “cotas raciais”, que constituem na verdade uma abjeta forma de racismo às avessas. Posso criticar certas leis ditas reguladoras do ensino, que de fato tolhem o pleno exercício da tarefa educadora dos professores melhores intencionados e, ao mesmo tempo, estimulam os pseudo-professores que olham a sala de aula como um lugar para disseminar o ressentimento, a meia verdade e a ideologia perversa entre alunos imaturos e inexperientes.
Posso – esquecendo ou ignorando as origens filosóficas da classe política dos Estados Unidos – criticar as atuais atitudes do governo americano no panorama internacional.Posso criticar os bombardeios de Bagdá ou o bloqueio de Cuba. Posso criticar o protecionismo alfandegário que cerceia o crescimento econômico do nosso país. Posso criticar o que muitos já classificaram como subserviência inglesa diante das imposições estratégicas do país que no passado foi justamente uma colônia da Inglaterra.
Posso criticar a melancólica depressão cultural em que vivemos no Brasil, bastante evidenciada pela péssima qualidade dos filmes nacionais, dos programas de televisão e muito do hoje que se chama, com muita condescendência, literatura brasileira, aí incluída, por exemplo, a obra de Paulo Coelho...
Posso – e talvez mesmo deva, ao me lembrar da tragicômica situação de um importante Estado brasileiro – criticar o casal de políticos que, a quatro mãos, o governa (governa ?) mas não consegue despertar confiança em qualquer pessoa sensata que ali esteja vivendo.
Tudo isso e muito mais posso criticar. Farta matéria prima me é fornecida diariamente pelos jornais e pela TV. Porém, toda essa pletora de críticas que eu fizer, para mim: Ruy Maia Freitas, só terá consistência se elas estiverem referenciadas a esta silenciosa, onipresente e raramente comentada realidade: o mistério do Mal. Parem e pensem um pouco nisso.
Falando em mistério, lembro de imediato um simples grão de areia. Todo o meu conhecimento matemático, físico, químico, o que for que eu possua, sobre esse pequenino grão de areia, não esgota seu mistério ontológico. Outro mistério: não adianta me dizerem, com muita auto-suficiência, que o longo pescoço da girafa facilita o acesso aos brotos mais altos de certas árvores.Esse fato, por verdadeiro que seja, jamais explicará para mim por que em todo o vasto reino animal existe um certo quadrúpede chamado “girafa” que tem aquele bizarro pescoço comprido.
Como cristão, vivo imerso em outros tipos de mistério: o da Encarnação, o da Maternidade Virginal, o de uma instituição chamada Igreja, que para muitos brilhantes pensadores é puramente uma instituição humana entre centenas existentes no mundo, e muitos outros mistérios. Todos eles juntos me permitem fazer aquelas críticas, e muitas outras mais, sob uma consistente perspectiva moral, e não do ponto de vista de um elegante, honesto, cartesiano, porém vazio moralismo. E como cansa esse moralismo... “It bores me...”
Desculpem minha franqueza!


posted by ruy at 12:50 da tarde

2.6.03

 
Ascensão !


Missa vespertina, ontem. Padre S. celebrando. Sua homilia foi excelente. Explicou, para todos nós que assistíamos à missa, o sentido maravilhoso da Ascensão do Senhor: a natureza humana definitivamente inserida no Eterno. Em certo trecho de sua fala, padre S. , para melhor ressaltar aquilo que ele, pitorescamente, chamou de “bronca” dada nos apóstolos teimosamente olhando para o céu, cantou em latim e em Gregoriano (sic) a advertência dos anjos: “Homens da Galiléa, por que estais a olhar para cima ? ” Segundo padre S. explicou, a melodia do Gregoriano consegue transmitir-nos a intenção da pessoa que canta (no caso: uma “bronca”...)



Para onde ?


Sei dirigir. Isto é: sei dar a partida no carro, ligar as marchas adequadas, girar o volante sem exagero, acelerar com cautela, frear no sinal vermelho, manter distância do carro da frente, sinalizar quando vou mudar de lado, etc. Tudo isso eu sei. Suponhamos que um dia eu saia de carro do meu prédio e algumas quadras depois, de repente, me esqueça para onde estou me dirigindo, o ponto final dessa minha saída.Que fazer? Tenho duas alternativas, a saber:
a) estacionar o carro no primeiro meio fio onde isso seja possível, e ali, parado, tentar me lembrar do meu destino;
b) ficar rodando com o carro pela cidade até acabar a gasolina, e aí ver o que acontece.
Suponhamos que lá em casa não esteja ninguém a quem eu possa telefonar para pedir ajuda. Meus parentes, por sua vez moram em outro Estado.E o que poderiam nessa hora me dizer tais parentes, se a eles eu perguntasse o lugar do meu destino? Iriam pensar, talvez, que eu estivesse ruim do juízo... Vamos simplificar o “cenário” para não alongar demais este “post”: não tenho como saber para onde vou com o meu carro, a menos que me lembre.
O leitor atento já deve ter percebido que essa hipotética e incômoda situação é uma alegoria.
Depois que nos tornamos adultos, sabemos como nos dirigir na vida. Uns são até bem mais hábeis “motoristas” que os outros. Há também “motoristas barbeiros”. O problema a ser resolvido, pelos bons ou pelos maus “motoristas”, é: para onde estamos indo? Já paramos para pensar nisso? Ou estamos apenas “gastando gasolina?”
Os regimes do tipo “colégio interno” (existem alguns desse tipo no mundo atual) procuram dar a todos os cidadãos: uma vidinha cômoda, segura, suficientemente agradável (pão, escolaridade essencial, assistência médica básica e algum circo) de modo que eles nem pensem em “parar o carro” para pensar no seu destino.



Um longo aprendizado.


Em geral, a mulher sabe amar de modo mais eficaz que o homem. Este leva um bom tempo para aprender essa arte. André Frossard nos diz que o homem em geral pergunta: para que viver? ; enquanto a mulher pergunta: por quem viver?




posted by ruy at 2:46 da tarde

 

Powered By Blogger TM