Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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1.6.03

 
O triângulo.


Meu amigo Magno já falou sobre isso e acho que acertou no que disse.
Todos os relacionamentos entre pessoas – entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre amigos, entre patrão e empregado, entre casais de namorados etc. – poderiam ser infinitamente melhores se houvesse o que Magno chamou de “um triângulo amoroso”, a saber: o Cristo e os dois seres humanos.O problema está em que, muitas vezes, não se deseja o melhor; espera-se antes uma situação que seja simplesmente satisfatória para a dupla terrena.Isso pode gerar às vezes um cansativo, desgastante pingue-pongue...



O sofrimento.
Somente masoquistas gostam de sofrer.Entretanto, o sofrimento faz parte da condição humana. Nem o próprio Senhor Jesus e sua Santíssima Mãe foram poupados do sofrimento.Ela, entre outras invocações, recebe a de: Nossa Senhora das Dores. Quando assim nos referimos a Maria, estamos nos lembrando da Paixão de seu filho. Mas, para mim pelo menos, existiu para a Virgem um certo sofrimento que talvez a muita gente passe despercebido: o de sua discretíssima solidão, a solidão de quem se sabia única no mundo. Quem sabe, poderíamos falar em Nossa Senhora da Solitude.


A inteligência.


A inteligência não é de forma alguma suficiente. Mas é necessária, e deveria ser sempre lembrada como reitora em nossos atos. Se a memória não me engana, Santo Tomás afirma, em algum de seus sábios escritos, que o ato moralmente correto é racional.Deixar a emoção ficar acima da razão é subverter a ordem das coisas...



( Não é piada ! ).


Uma senhora portuguesa de meia idade matriculou-se em um curso de hidroginástica. Passados alguns meses, uma das outras senhoras tirou uma fotografia do conjunto e deu uma cópia a Dona Maria. Muito contente ela levou a foto para casa a fim de mostrá-la ao marido, também português. Logo que ele olhou, abriu um grande sorriso e comentou: “O’ Maria, eu não sabia que fazes ginástica numa piscina !”



posted by ruy at 6:21 da manhã

31.5.03

 

O Cristianismo e sua inserção na história.

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Vale a pena transcrever estas palavras de advertência de Etienne Gilson no capítulo Introdução de seu livro : “A Filosofia na Idade Média” :

“O cristianismo é uma religião; empregando por vezes termos filosóficos para exprimir sua fé, os escritores sacros cediam a uma necessidade humana, mas substituíam o sentido filosófico antigo desses termos por um sentido religioso novo.É esse sentido que lhes devemos atribuir quando os encontramos nos livros cristãos.”

Notemos o importante detalhe da realidade histórica: o Evangelho era de fato a grande novidade apresentada a um mundo que já possuía sua cultura própria, acumulada durante séculos de investigação filosófica. Era preciso, pois, caridosamente até, saber falar o idioma do outro.



A Dor.

A dor de cabeça,
a dor de ouvido,
a dor no trigêmeo (lancinante),
a dor de dente,
a dor do enfarte (que vem de repente),
a dor na bexiga,
a dor de cotovelo,
a dor da ausência de alguém,
a dor da falta cometida,
a dor, enfim, da Criação inteira,
em seu parto longo e silencioso,
esperando o nascer de novo,
e a perenal saúde.



Uma dica para os que ainda não conhecem.


Quem quiser saber por que a Rue de Bac em Paris é tão importante, apesar de modesta, procure entrar neste belíssimo “site”:
www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/index.htm



Aniversário de Dom Lourenço !

Dom Lourenço de Almeida Prado OSB está fazendo hoje: 92 anos! Que Deus o abençoe!



posted by ruy at 4:17 da manhã

30.5.03

 

Alguns temas certamente bem pouco abordados em conversas habituais.


a)- Vocações religiosas.
Há cerca de meio século, dezenas de jovens brilhantes advogados, médicos e engenheiros brasileiros deixaram seus escritórios e consultórios para ingressarem de forma definitiva na vida religiosa. Tornaram-se monges ou frades em várias Ordens da Igreja.
Esse fato, segundo me contaram, na época causou rebuliço; pensou-se até que estaríamos próximos do Fim do Mundo. Depois, a opinião pública serenou, e as mentes e os corações das pessoas comuns aos poucos foram descobrindo o imenso lucro que a sociedade humana deste país tivera com aquele escandaloso: “abandono de tão promissoras carreiras”.
Ora, na referida época a população brasileira era bem menor que a de hoje, e se é verdade que os recursos tecnológicos de que dispúnhamos eram bem inferiores aos de nossos dias, não é menos verdade que, hoje, nossas megalópoles tornam um verdadeiro inferno a vida dos cidadãos que as habitam. O crime organizado, realidade inexistente naqueles anos muito mais tranqüilos que os nossos, participa agora dessa atmosfera sombria em que vivemos e que provoca, em todos nós, uma generalizada desesperança. O “struggle-for-life” torna-se mais áspero à medida que o desemprego cresce (são bem poucas as famílias que não têm pelo menos um de seus membros desempregado).
Quando, no passado, aqueles moços fizeram a corajosa escolha da “melhor parte”, o mundo estava preste a entrar em uma terrível Guerra que iria durar seis longos anos. Hoje, a “guerra” está dentro de nossas fronteiras. Quem sabe se isso motivaria outros moços a tomar decisão semelhante? Um imenso lucro de todos nós seria: o reencontro da Esperança!

b)- Oração em família.
Conheço um velho monge, respeitado por sua notória sabedoria, que certa vez me contou o fato que mais o impressionara quando era menino. Ver seu pai andando de uma lado para o outro, na grande sala antiga, a rezar o rosário, sem nenhum respeito humano. Acontecia naquela época a oração em família, por exemplo: às principais refeições, agradecendo o alimento Àquele de Quem tudo procede.
Hoje a família somente se reúne para ver televisão, discutir política e contar as últimas piadas. Estou mentindo? Eventualmente, convida-se um sacerdote para benzer um carro novo ou uma nova residência. Mas, a maioria das famílias não está muito preocupada com tais “antiquadas pieguices”.
Gostem ou não gostem disso que vou dizer, ocorre que o ser humano é naturalmente religioso,.entendendo-se por este adjetivo o seguinte: saiba ou não saiba disso, cada homem, por mais insignificante que pareça (por exemplo: aquele mendigo que você viu, na semana passada, deitado ali perto da praça), é um ser criado para ver, face a face, Aquele que o criou. Para ser “religado” ao tronco que nos alimenta.

c)- Educação.
Isso já tem sido comentado por mim várias outras vezes. Mas, paciência, é imperioso que eu toque no assunto.
Cada vez que vejo alguém com nível de escolaridade universitário, às vezes titulado (Mestre ou Doutor) e com as seguintes deficiências: carente de sensibilidade literária ou artística (principalmente musical); ignorante dos rudimentos do pensamento formal, filosófico; incapaz de perceber o absurdo que consiste em colocar um povo inteiro em regime de “colégio interno” – cada vez, pois, que encontro uma pessoa com tais características, mais me convenço do gigantesco erro que é o de confundir : escolaridade com educação.
Seria desejável que os senhores bispos brasileiros, por exemplo, em vez de ficarem dando palpites para o Presidente da República, se preocupassem antes em desfazer esse antigo e tão nefasto equívoco.

(Já sei que muita gente vai xingar Ruy Maia Freitas. Paciência...).


posted by ruy at 12:04 da tarde

29.5.03

 
Um oportuno lembrete.


Em seu livro: “Pensar na Idade Média”, mais precisamente no capítulo FILÓSOFOS E INTELECTUAIS, Alain de Libera insere a seguinte observação que julgo muito oportuna:

-“O homem não deve arrogar-se o pensamento, ele é seu depositário e não o primeiro autor. Se preferirem, a natureza não basta à natureza; o saber, mesmo natural, é “gratuito”.

Pois é, Ruy, ponha as barbas de molho.Nunca se esqueça disto: boas idéias, que sejam realmente verdadeiras - mesmo que não envolvam assunto ligado à teologia, aos mistérios da Fé – nos são inspiradas pelo Pai das Luzes. Esquecer isso é descambar no traiçoeiro vazio da vaidade...



Finalidade da Educação.


Vejamos um pensamento de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB sobre o objetivo da educação :

“Com razão se pergunta se a educação tem em mira a sociedade ou a própria pessoa. A resposta tem que ser a segunda alternativa. O entusiasmo desenvolvimentista conduz, freqüentemente, a considerar o objetivo econômico ou social como o primeiro visado no esforço educacional.É uma posição falsa. O homem não pode ser reduzido a meio para a edificação de uma sociedade, como fim. A sociedade é que é meio em vista da vida de cada pessoa. E se é a pessoa que constrói a sociedade, isto se dá como transbordamento do seu ser e expansão comunicativa de sua natureza, não como sua instrumentalização. Pessoa humana não pode ser instrumentalizada.”

(do livro: “EDUCAÇÃO- Ajudar a pensar, sim.Conscientizar, não.”- Editora AGIR, 1991)

(os Governos recentes parecem pensar diferente de Dom Lourenço, já que volta e meia os responsáveis pela coisa pública falam em: “tudo pelo social”. Em recente reunião de Reitores universitários, divulgou-se esta diretriz federal: modificações em currículos só serão válidas se estiverem “inseridas no social.”É a palavra mágica:o social !



Ainda sobre a pobreza.


Vinha de táxi e notou que o motorista estava escutando um CD de sambas, ou melhor de sambões, todos bem ritmados. Devia ser um CD pirata porque, de vez em quando, havia uma falha, pequena mas perceptível. Em um dos sambas o cantor dizia isto:
“Eu sei que sou mesmo pobre,
mas meu coração é nobre.”


Bom compositor de samba que foi tão feliz nesta sábia rima !



posted by ruy at 12:27 da tarde

28.5.03

 
Elogios.


Há certos “elogios” que seria melhor não serem feitos. Criam uma atmosfera de mal estar, como se algum dos presentes à reunião, onde o elogio está sendo feito, tivesse, de repente, exalado mal-educadamente um desagradável odor. Foi o que ocorreu, não faz muito tempo, em certo importante colégio do Rio. O fato me foi contado por um dos professores que assistiu à cerimônia.
Reuniram-se no grande auditório: professores, alunos, funcionários e familiares dos alunos. Tratava-se de prestar uma justa homenagem ao professor mais antigo, mais respeitado e mais estimado do colégio, e que estava preste a se aposentar. Vários oradores se fizeram ouvir, cada um representando um setor da escola ou até mesmo de alguma entidade externa. Pois bem, para finalizar as homenagens, a palavra foi passada ao próprio dono do colégio. Ora, apesar de ser pessoa de boa cultura e apesar de conhecer todo o passado do homenageado, rico em realizações profissionais, aquele último orador proferiu um elogio ultra sintético, em cujas palavras não se percebia entusiasmo algum. Resumindo: uma pobreza de sentimentos, quase beirando a ingratidão.Lamentável...



O tempo.


Silencioso e constante companheiro,
a quem injustamente maltratamos,
culpando-o pelas falhas nossas,
omissões ou falta de cuidado.
Quando o esquecemos,
ele, serviçal permanente,
corre atrás de nós angustiado,
quase nos dizendo:
- “por que não pensaste em mim?
por acaso não te sou necessário? “
E todos sabemos o quanto é sim...
Se nos lembramos dele,
seu serviço é bem feito,
e nos ajuda a findar a obra planejada.
Se estivermos tristes,
ele poderá servir-nos de consolo,
bastando sabê-lo usar com paciência.
Se estivermos alegres,
ele e nós dançaremos juntos!
E quando tudo tiver terminado em nossa vida,
ele, qual sombra vespertina,
mansamente morrerá conosco.







posted by ruy at 2:04 da tarde

27.5.03

 
A criminalidade no Rio.


A cada absurdo crime de morte que, quase diariamente, ocorre no Rio de Janeiro, duas reações ocorrem neste escriba. A primeira é a de me irritar com a teimosa, a perniciosa repetição da frouxa palavra “violência”, usada de modo irresponsável pela mídia em geral e com mais ênfase pelas TV’s.Esses jornalistas fogem dos termos mais adequados: crime de morte, bandidos, criminosos, criminalidade, etc.
A segunda reação é a de uma tristeza antiga, guardada na memória, e que aflora diante das notícias, junto com a confirmação melancólica desta paradoxal verdade: não existe nada mais prático do que uma teoria. Se ela for boa, ótimo: todos saímos ganhando. Se ela for ruim, pode, por exemplo: gerar um sistema político que vai esperar 70 anos para ouvir de um ditador a patética pergunta: “por que a geladeira russa é de tão má qualidade?”; ou, dando um outro exemplo, aquela mesma teoria ruim pode inspirar o forte cabo eleitoral de um candidato que, sendo eleito, vai fechar os olhos para o combate ao crime em uma cidade que já foi chamada: Maravilhosa.
(a tristeza aumenta quando sabemos que o tal cabo eleitoral era tido como “líder católico”...).



Política é memória.


Certa vez me disseram isto: “política é memória”. Entenda-se: para fazer boa política, política orientada para o Bem Comum, não devemos esquecer nunca os fatos políticos do passado.Demos dois exemplos de fatos ocorridos neste país e que provocaram, segundo penso, deletérias mudanças de comportamento em nossos concidadãos.
O primeiro se deu em 5 de agosto de 1954. Houve uma tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, que estava empenhado em denunciar vários casos de corrupção administrativa em órgãos do governo.O criminoso, bandido contratado por um dos seguranças do presidente da República, deveria matar Lacerda, mas acabou matando um oficial da Aeronáutica, um major que estava protegendo o jornalista. Em decorrência do crime covarde, um grupo de colegas do morto levou a fundo as investigações que não só provaram quem era o mandante do crime como ainda tornaram público um horrendo esquema de tráfico de influência, cujo pivô era justamente o chefe da guarda pessoal do presidente. Divulgados os resultados do inquérito, a população brasileira se posicionou solidária com Lacerda e em franco repúdio à corrupção que grassava à sombra do Catete.
Pois bem, houvesse na ocasião o presidente renunciado (ninguém o havia acusado como planejador e/ou mandante do assassinato), e teríamos, em seqüência, o predomínio do que era racional, a saber : punir os responsáveis e manter no país o respeito à honestidade no exercício da função pública . Porém, infelizmente, o Chefe da Nação optou por uma trágica saída do governo: tirou a própria vida. Ora, o que, logo em seguida, fez uma grande parte do povo brasileiro? Rápida e emocionalmente passou a odiar o bravo jornalista e a considerar o político morto como um herói injustiçado...As várias crises políticas que depois se sucederam foram, se não provocadas, alimentadas por aquele tremendo emocional equívoco.
Um outro exemplo.
O fato me foi contado por tio Ivan, que na época morava no Rio.Meu tio acordava de madrugada para ir de ônibus ao trabalho. Assim, aproveitava para tirar um cochilo durante a viagem.Ora, cochilar não é o mesmo que dormir.Por isso, certo dia o sonolento madrugador pôde ouvir este diálogo entre dois outros passageiros, que certamente achavam que tio Ivan estivesse mesmo dormindo:
- Oi, Fulano! Há quanto tempo não lhe via! Tudo bem com você ?
- Oi, Beltrano! Que bom ver você! Eu estou bem, logo vou me aposentar!
- Aposentar, como? Você tem tempo prá isso?

- Bem, tempo exato não, mas estou ganhando muito dinheiro e isso vai me ajudar! Sabe, tenho transportado tijolos para a construção de Brasília. No caminho, vendo 100 em uma cidade, 200 em outra, e assim acabo chegando em Brasília. Lá, ninguém confere a nota fiscal, a quantidade de tijolo, não conferem nada!
Imagine o leitor com quantos caminhões acontecia aquilo.
O açodamento de um vaidoso presidente que queria porque queria, durante o seu governo, transferir a capital do Brasil para o interior de Goiás acabou induzindo muitas pessoas a fazerem aquela falcatrua que tio Ivan ouviu ser contada, e possivelmente muitas outras. Imagine o leitor o impacto desses fatos no comportamento ético de uma sociedade.
(Um detalhe: desde o tempo do Império já existia a previsão da mudança da Capital Federal para o lugar onde ela hoje está.Entre outros motivos estaria o da segurança, cujos parâmetros eram os de uma época em que ninguém nem sequer sonhava com mísseis intercontinentais).




posted by ruy at 3:39 da tarde

26.5.03

 
O Cristianismo.


O que é o Cristianismo? Uma imensa quantidade de pessoas, consultadas no mundo inteiro, responderá a esta pergunta dizendo que se trata apenas de uma religião entre dezenas de outras existentes na Terra; dirá ainda que, sendo uma religião, o Cristianismo fala em Deus e no relacionamento do homem com Ele, e ensina aos seus fiéis normas de moral e regras que devem reger o culto à divindade. Esta é uma resposta que direi: “sociológica”.
O curioso, paradoxal mesmo, é este fato: vivendo em uma época em que os meios de transporte, os sistemas de telecomunicações e todos os recursos tecnológicos postos à disposição da palavra escrita deveriam tornar essa realidade óbvia, muitos analistas não prestam atenção em uma formidável realidade do mundo atual, qual seja: é um mundo ocidentalizado; para o bem ou para o mal: ocidentalizado.Vejamos o exemplo gritante( ou que deveria ser gritante) da China. Bilhões de pessoas estão sujeitas a um regime político cuja inspiração filosófica é, sem dúvida alguma, certa doutrina gerada e cultivada no Ocidente. As armas convencionais ou de grande poder destruidor de que dispõe o aguerrido exército chinês foram inventadas e aperfeiçoadas no Ocidente. Mais, é bem possível que muitos dos dirigentes políticos daquele país gigante guardem em seus conscientes ou subconscientes um enorme ressentimento contra tudo aquilo que, em um passado não muito distante, povos do Ocidente, povos que se afirmavam como cristãos, fizeram de mal ao povo chinês.
Está aí precisamente o drama do Ocidente. Ele se esqueceu do Cristianismo; esqueceu-se daquilo que magicamente havia transformado as ruínas do Império Romano na pequena porém fecunda Europa.Esqueceu-se, como nos lembra André Frossard, do endereço da Casa Paterna.O Cristianismo não é uma religião entre outras; é, sim, um jubiloso convite, feito educadamente pelo Filho, para que seus irmãos adotivos regressem à Casa do Pai.



Números e Realidade.


Existem homens dotados de inteligência brilhante e de boa cultura que, para meu espanto, se deixam ludibriar pela categoria do número. Vamos direto ao fato.Eles pensam assim: uma imensa quantidade de cristãos que eram tidos como católicos hoje nem sabem mais o que signifique isso: ser católico; uma imensa quantidade de católicos que antes tinham um enorme respeito pelo Papa, hoje só vêm o Bispo de Roma como interessante notícia de jornal ou televisão; uma imensa quantidade de católicos que nos domingos se preocupavam em comparecer à missa hoje estão muito mais ligados ao grande número de diversões que existem à disposição do lazer humano; uma imensa quantidade de católicos que antigamente consideravam com seriedade os severos preceitos morais ensinados pela doutrina católica hoje nem pensam no assunto. E vai por aí. Pois bem, olhando todos esses indiscutíveis “números”, o analista brilhante conclui: “a Igreja não mais existe; a Igreja morreu!”.
Houve um tempo em que a imensa maioria dos cristãos havia aderido à famosa heresia do Arianismo. São Jerônimo tem uma passagem em que o sábio autor da Vulgata diz: “o universo mirou-se e gemeu por ver que todo se fizera ariano.” Ario morreu, a heresia sumiu e, cumprindo-se a promessa feita a Pedro, a Igreja continuou. Afinal, ela está no tempo, mas pertence mesmo à Eternidade.



Os dois progressos.


Já que estamos falando em Cristianismo, vale a pena lembrar uma importante dicotomia proposta ao adulto cristão que se educa. Arma-se para nós uma dupla possibilidade de progresso: o exterior e o interior. O exterior se faz na direção da máxima autonomia. O progresso interior se faz no sentido inverso: o da máxima heteronomia. “Se não vos fizerdes semelhantes às crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.
(isso dos "dois progressos" não é invenção minha; aprendi com alguém que, além de cultura, tinha sabedoria).


posted by ruy at 7:08 da manhã

 

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