Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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25.5.03

 
Pobreza


Como não gosto de ver e ouvir noticiário de televisão, hoje, às 13 25 h, acabei vendo e ouvindo quase sem querer quando passei pela sala do apartamento onde moro. A cena mostrava vários argentinos fazendo um protesto em uma praça daquele país vizinho, nenhum deles maltrapilho e alguns, se não gordos, de corpo bem alimentado. E tocavam, com boa saúde, instrumentos de percussão. Enquanto uma mulher presente no grupo que fazia o protesto era entrevistada pelo jornalista que filmava a cena, o locutor brasileiro, aqui no Brasil, no estúdio da emissora, fazia enfático este comentário: “setenta por cento dos argentinos vivem na pobreza.”
Está aí um ótimo e oportuno exemplo de como a televisão distorce o bom uso das palavras. Por quê ? Conforme sensatamente nos ensina o grande pensador espanhol Julian Marías, a condição de pobreza é a mais comum sobre a face da terra desde que as sociedades humanas existem. E a menos que a pessoa, de fato sendo pobre e não miserável, esteja dominada pela inveja, pela ambição ou pelo ressentimento (ou pelos três juntos), essa condição pode ser vivida em paz e dignidade. Sempre haverá uma minoria de ricos.Estas considerações levam-me a afirmar que aquela reportagem da TV é, no mínimo, burra (desculpem o termo pesado...).



O pior silêncio.


Todo blasfemador tem um desejo oculto.
E quase sempre, triste, decepcionado,
não ouvindo resposta ao seu tremendo insulto,
continua vivendo, só e amargurado.



Velório


Em um cemitério, quatro amigos conversavam, um pouco distantes do caixão onde estava o corpo do falecido.De repente, um deles perguntou: “o que vocês, se estivessem deitados em um caixão como aquele, gostariam de ouvir dos presentes no velório?” Um dos outros três respondeu: “eu gostaria de ouvir as pessoas dizendo: ali está um ótimo chefe de família, um exemplo de marido e pai.”Um outro dos perguntados : “pois eu ficaria contente se dissessem: que grande médico perdemos nesta cidade!” O terceiro continuou: “bem que seria bom ouvir que fui um político sério e competente.” Terminadas as respostas, um deles perguntou ao que tinha proposto a pergunta: “e você, Fulano? o que gostaria de ouvir?” E a rápida resposta: “vejam, ele está se mexendo!...”

( a anedota não é nova, mas é sempre bom ouvir de novo!).


posted by ruy at 6:27 da manhã

24.5.03

 
Independência.


Quem não gosta de ser independente? Pois é, todo mundo gosta. Mas, como sensatamente diziam os antigos: “est modus in rebus...” Assim, bem a propósito vale a pena divulgar um fato contado por Vasco Mariz, que foi nosso embaixador nos Estados Unidos.
Certa vez o presidente João Goulart, que entendia e falava razoavelmente o inglês, fez uma viagem ao grande país da América e lá, como parte da programação, foi a Washington para um encontro com o presidente Kennedy na Casa Branca. Passemos a palavra a Vasco Mariz:

-“Angustiosa foi a primeira entrevista dos dois presidentes, na qual Jango fez questão de reafirmar a sua política externa independente.Aí aconteceu algo inesperado: Kennedy levantou-se subitamente, deu a volta à grande mesa retangular e aproximou-se de Goulart que, embaraçado, levantou-se também.Sorrindo, Kennedy apertou-lhe a mão jovialmente, felicitando-o por afinal haver encontrado um presidente independente. Lamentou que ele mesmo fosse dependente do Congresso, da imprensa, de seu partido, dos sindicatos, de Kruschov, De Gaulle etc. Foi um vexame para a comitiva brasileira. Houve um longo silêncio enquanto Kennedy voltava ao seu lugar na mesa...”



Patriotismo e nacionalismo.


Os problemas atuais do relacionamento entre as nações deveriam fazer-nos refletir com seriedade sobre as diferenças entre dois conceitos políticos, entre duas atitudes políticas semelhantes, aparentemente iguais, mas que de fato são, por assim dizer, quase que opostas.
Parece-nos que o convívio entre os países seria muito melhor, ou menos ruim pelo menos, se houvesse o claro predomínio da posição correta, a saber: o patriotismo. Em seu pequeno grande livro: “Como reorganizar a nossa Rússia” , Alexandre Soljenitsin escreve isto:
-“ Cada povo, até mesmo o menor deles, é uma faceta insubstituível do projeto de Deus.”
Mas, perguntamos: qual dirigente político moderno está mesmo preocupado em saber qual deveria ser o projeto de Deus?



“Teoria” e “prática.”


Ao analisar os fatos sobre os quais diariamente somos informados pelo barulhento megafone da mídia, podemos fazer nossa análise e nosso julgamento posicionando-nos em uma destas duas atitudes: 1)- procurar uma “teoria” que nos explique, que nos esclareça sobre a origem dos fatos; 2)- simplesmente usando o bom senso, examinar de modo “prático” os mesmos fatos, sem ir a fundo quanto ao porquê deles.
Ora, ainda que esses dois possíveis postos de observação sejam válidos, supondo obviamente que os critérios morais em ambos os casos sejam normais, qualquer um dos resultados dos respectivos julgamentos, por melhores que eles tenham sido feitos, estará incompleto se não considerar um dado essencial do problema e que é: o mistério do Mal.
Amigo leitor, quando você estiver lendo um ótimo artigo, em que o autor, usando excelente argumentação, nos prove, por A+B, por que tal fato político está certo ou errado, ou quando você, em uma boa conversa na hora do cafezinho, ouvir um colega seu discorrendo de modo justo e sensato sobre algum notório escândalo público, pare e pense seriamente nisto: será que Fulano, por trás desse inteligente arrazoado, se lembra do mistério do Mal?


posted by ruy at 3:55 da manhã

23.5.03

 
Prestando conta.


De fato, este blog é “meu” (o porquê das aspas vai ser logo entendido). Sendo “meu”, posso fazer muitas coisas com ele.Vejamos.
Posso editar posts que tratem, com a devida cautela, de temas, digamos: “filosóficos”, que certamente vão ser abordados usando citações daqueles que sejam realmente grandes conhecedores do assunto. Vou sempre correr o risco de ser aparteado, de ser corrigido pelos doutos e, nesse caso, deverei fazer as necessárias correções, pedindo ao leitor que me perdoe as falhas por mim cometidas.
Posso editar posts que falem sobre assuntos ligados à política. Afinal, é o assunto mais corriqueiro hoje em dia, seja política nacional quanto internacional. E sempre lembrando que as duas estão intimamente ligadas. Vou correr o risco de ser provocado a uma discussão via Internet, ou posso até mesmo ser xingado pelos que tenham outro ponto de vista político, diferente do meu.
Posso editar posts em que sejam contados fatos pitorescos, de preferência engraçados para não maçar o leitor. É claro, em alguns casos deverei tomar cuidado para não citar nomes que possam comprometer pessoas vivas, nem manchar a memória dos que não mais estejam visíveis entre nós.
Posso editar posts divulgando alguma poesia escrita por mim. Meus versos, com certeza, não irão agradar à maioria dos leitores. Costumo dizer a meus amigos que sou um mero teimoso aprendiz de poeta.
Posso editar posts em que me arrisque a tocar no seríssimo assunto da religião, ou pelo menos sério para mim. Haverá quem fique aborrecido se, por acaso, ao falar em algum ponto mais controvertido, talvez eu acabe ferindo a sensibilidade de quem não acredita nas mesmas coisas em que acredito.
Tudo isso posso fazer com “meu” blog. Mas, justamente explicando agora o motivo das aspas, terei que esclarecer o seguinte:
- em tudo o que eu colocar na rede, em tudo o que eu editar neste blog, pretendo (notem bem: pretendo) testemunhar um amor que é tristemente imperfeito (e essa imperfeição não me é fácil de ser suportada...).Um amor dirigido Àquele que para mim é o Verbo de Deus Encarnado: Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem este mundo foi criado e para Quem nós, como disse Santo Agostinho, fomos feitos. Sou mesmo um discípulo relapso, cheio de lamentáveis falhas, mas não posso negar que Ele, Jesus Cristo, seja meu Mestre. E é por isso mesmo que digo : este blog não é propriamente “meu”.
Sendo assim, quando eu abordar um assunto político, por exemplo: criticando as tentativas insistentes de certos grupos que querem transformar este país em um grande “colégio interno”, minhas críticas vão estar inseridas– ou pelo menos assim pretendo que elas estejam – em uma concepção religiosa da história humana. Recuso veementemente qualquer interpretação da nossa vida neste mundo que deixe de considerar a transcendência.Fazer críticas sem levar em conta a bússola da Esperança, com E maiúsculo, seria para mim um tipo de moralismo, por mais justas e mais bem feitas que elas fossem.



Autoridade.


Quem ainda não leu poderá ler certas sensatas e oportunas reflexões citadas por Alexandre Soares Silva em seu blog, versando sobre o tema : autoridade (um dos pontos a que me referi no meu post de ontem).
(Ver: http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/000141.html






posted by ruy at 11:17 da manhã

22.5.03

 

Para ler e refletir.


Aproveitando o embalo do post do Alexandre, em que ele fala sobre a onda de anti-americanismo que está rolando pelo mundo, incluindo o nosso país, vou transcrever um trechinho de um “site” americano, o “Eternal World Television Network” , dirigido por Madre (Mother) Angélica, uma simpática freira americana.


“You tell me you do not have the time to give two or three hours to
prayer; who asks you to do so? No one can be excused from
jaculatory because it can be made while coming and going about
ones business. Recommend yourself to God the first thing in the
morning, protest that you do not wish to offend Him, and then go
about your affairs, resolved, nevertheless, to raise your spirit to God,
even amidst company.


St. Francis De Sales”

( o endereço do referido “site” é : www.ewtn.com ).



Ordem, hierarquia e autoridade.


As pessoas que têm preconceito contra os militares com certeza vão torcer seus narizes ao lerem as três palavras acima. Como todo preconceito, esse é mais uma visão distorcida ou deficiente da realidade. Para comprovar isso , comecemos pela palavra ordem.
Neste exato momento, enquanto leio, sentada meu lado neste banco, está uma gatinha, ruiva e mansa. De repente, ela pode começar um miado. Tomo um susto.O livro que estou lendo agora pode escapar de minhas mãos; se isso ocorrer, ele não ficará suspenso no espaço; cairá no chão. Se alguém chegar próximo de mim e me cumprimentar dizendo: “bom dia!”, devo educadamente responder ao cumprimento.O miado da gatinha, a queda do livro e meu dever de boa educação estão inseridos na ordem das coisas. Essa ordem abrange os atos espontâneos dos irracionais, as leis da física e as regras da moral, que regem o comportamento ético do ser humano.
Vejamos agora a hierarquia. Vou a um auditório para ouvir música. Poderá ser uma apresentação de modernas canções populares brasileiras ou, talvez, uma seqüência de trios de Mozart. Tudo é música. Mas, quem sabe distinguir um gênero do outro, mesmo que aprecie os dois tipos, o popular e o erudito, sabe também que este segundo tipo é mais importante; exige maior atenção e maior silêncio no ambiente, porque age de modo mais profundo em nossa sensibilidade. É um tipo de música superior.
E quanto à autoridade? Bem, neste instante vale a pena lembrar um grande livro, hoje infelizmente ignorado ou esquecido, que é: “A Filosofia do Governo Democrático”, do filósofo Yves Simon.Nessa obra – que deveríamos consultar sempre – o ilustre pensador francês nos explica, com excelente didática, que a razão essencial da existência de uma autoridade está no problema, muitas vezes crítico, da pluralidade dos meios. Entretanto, para os totalitários, de esquerda ou de direita, para os adeptos dos regimes tipo “colégio interno”, a autoridade é necessária porque, conforme as pessimistas filosofias em que esses radicais se inspiram, o ser humano seria essencialmente mau. Ao contrário, para a fé cristã, o homem não é essencialmente mau; nosso estado, sim, é o de um ser acidentalmente decaído.O mesmo homem que é capaz dos maiores crimes é também capaz dos atos mais sublimes. E é por isso que uma democracia autêntica geralmente se dá bem com o Cristianismo.Porém, os “freis” Bettos da vida não estão muito preocupados com sublimidades.Para eles, basta entregar ao povo: pão, alfabeto, remédio e circo, e manter todo mundo em regime de “colégio interno.”







posted by ruy at 2:20 da tarde

21.5.03

 

Cristianismo e Moral.


É bem possível que eu já tenha abordado este assunto em posts passados. Mas, o tema é tão importante que não faz mal repetir (acho que não).
O Cristianismo vem mantendo, ao longo dos séculos, todas as exigências morais que herdou da religião judaica e que se referem ao relacionamento com nosso próximo: não faltar com o respeito aos pais, não matar, não usar o sexo de modo pecaminoso, não furtar, não mentir, não desejar a mulher do próximo, não cobiçar as coisas alheias. Aliás, é sempre bom lembrar que o primeiro próximo, na ordem da caridade, somos nós mesmos.
Bem, um equívoco cometido pelos não-cristãos – e, infelizmente, também por muitos cristãos...- é o de achar que nessas severas exigências morais resume-se, esteja a essência da vida cristã. Com tal equívoco dilui-se a principal pessoa, esquece-se do principal personagem no super-grandioso drama da vida humana sobre a terra, e que é : Nosso Senhor Jesus Cristo!
Falar no Cristianismo como se ele fosse meramente um fato sociológico é estar a anos-luz de sua realidade.



Aleluia !


Domingo, a igreja repleta de fiéis na missa vespertina.Chega o momento da leitura do Evangelho.Eis que, para minha grata surpresa, ressoa, entre as belas colunas do templo, a voz afinada e possante, sobretudo bela, do padre S. , celebrante da missa, cantando com o maior entusiasmo o Aleluia. De repente, sinto como se aquela igreja de bairro estivesse transfigurada, com o esplendor de uma catedral européia, e todos os assistentes à missa ali presentes mergulhados em uma atmosfera de radiosa espiritualidade, semelhante à que se encontra em um mosteiro beneditino quando se ouve o canto gregoriano ! Aleluia!



Fato insólito.


Todos sabemos que em nossos dias os adolescentes costumam mostrar em relação a seus pais uma atitude que, mesmo respeitosa, deixa sempre perceber um forte sentido de independência. Longe, cada vez mais longe, o tempo do pai ou da mãe autoritária diante de um filho submisso e intimidado. Ora, contrariando a regra, vejamos um fato contado pelo meu amigo R. que é professor no IME, Instituto Militar de Engenharia.
Faz pouco tempo, estava R. tomando conta de uma sala onde se realizava prova de vestibular para aquela importante escola de engenharia situada no Rio. De repente, meu amigo percebeu que um aluno havia terminado sua prova, bem antes do tempo previsto, mas, em vez de entregar todos os papéis, conforme a regra, permanecia sentado, e com a prova fechada sobre a carteira. Então, R. lhe perguntou: “meu filho, se você terminou a prova, por que não a entrega para ir logo embora ? “ E a rápida resposta do candidato: “é que minha mãe está lá fora...”


posted by ruy at 2:31 da tarde

20.5.03

 
O Segundo Mandamento.


Desgraçadamente, falar hoje sobre os Dez Mandamentos parece ter ficado “démodé. Na moderna sociedade ocidental, laicizada e secularizada, deixou de ser natural, espontâneo, lembrar as coisas que dão sentido à nossa existência neste mundo visível.Isso talvez explique (mas não justifica, é claro!) o fato de serem freqüentes, seja na mídia, seja na Internet ou mesmo em conversas convencionais entre pessoas supostamente civilizadas,contarem-se piadas ou historietas envolvendo o santíssimo nome de Deus. Às vezes o contador de uma historieta, que ele acha não irreverente, e crê até que seja muito edificante, não se dá conta de que a própria mediocridade da narrativa já contém uma visão deformada do Absoluto. Em tudo isso percebe-se que alguém se esqueceu do Segundo Mandamento.



Uma questão de orgulho?


Sabemos de muitos casos de pessoas que em sua mocidade pertenceram ao partido comunista ou, pelo menos, agiram como se de fato acreditassem no ideal socialista, e depois, com o avançar dos anos, depois de refletir e amadurecer, se deram conta do caminho errado que haviam seguido. Mudaram de rumo; e mais: tiveram a coragem moral para dizer com humildade: “eu estava iludido, eu estava errado”.
Quando vemos, pois, artistas famosos ou escritores, supostamente inteligentes, e que com toda certeza viram a construção e depois a queda do Muro de Berlim, acompanharam o fracasso do regime soviético (incapaz de fabricar uma boa geladeira ),estão a par dos quarenta anos de ditadura em Cuba etc. e, apesar de tudo isso, teimam em apoiar regimes do tipo “colégio interno”, quando vemos essa triste teimosia perguntamos: não será uma questão de orgulho?



Esquerdismo e senso de humor.


Parece-me que, em regra, o esquerdismo não se dá bem com o senso de humor. Uma clássica exceção aqui no Brasil foi a do engraçadíssimo Barão do Itararé, pseudônimo do genial jornalista Aparício Toreli.
Contam um fato muito curioso, ocorrido há muitos anos em nosso país. Três militantes comunistas, dois homens e uma mulher, coincidentemente os três gordos, bem gordos, reuniram-se certa vez em um apartamento no Rio para tratar de seus planejamentos políticos.
Terminada a reunião, os três se propuseram, de comum acordo, que cantassem em coro a Internacional Comunista, o hino universal do Partido. Assim começaram. Porém, existe no meio da letra do tal hino um trecho que diz isto: “nós, os famintos do mundo”. Quando a mulher ouviu isso, olhando para seus companheiros e para si própria, não se agüentou: desandou na maior gargalhada. Uma semana depois deixava o PCB. (essa mulher é uma inspirada poetisa brasileira).


































































































posted by ruy at 1:45 da tarde

 

O Segundo Mandamento.


Desgraçadamente, falar hoje sobre os Dez Mandamentos parece ter ficado “démodé. Na moderna sociedade ocidental, laicizada e secularizada, deixou de ser natural, espontâneo, lembrar as coisas que dão sentido à nossa existência neste mundo visível.Isso talvez explique (mas não justifica, é claro!) o fato de serem freqüentes, seja na mídia, seja na Internet ou mesmo em conversas convencionais entre pessoas supostamente civilizadas,contarem-se piadas ou historietas envolvendo o santíssimo nome de Deus. Às vezes o contador de uma historieta, que ele acha não irreverente, e crê até que seja muito edificante, não se dá conta de que a própria mediocridade da narrativa já contém uma visão deformada do Absoluto. Em tudo isso percebe-se que alguém se esqueceu do Segundo Mandamento.



Uma questão de orgulho?


Sabemos de muitos casos de pessoas que em sua mocidade pertenceram ao partido comunista ou, pelo menos, agiram como se de fato acreditassem no ideal socialista, e depois, com o avançar dos anos, depois de refletir e amadurecer, se deram conta do caminho errado que haviam seguido. Mudaram de rumo; e mais: tiveram a coragem moral para dizer com humildade: “eu estava iludido, eu estava errado”.
Quando vemos, pois, artistas famosos ou escritores, supostamente inteligentes, e que com toda certeza viram a construção e depois a queda do Muro de Berlim, acompanharam o fracasso do regime soviético (incapaz de fabricar uma boa geladeira ),estão a par dos quarenta anos de ditadura em Cuba etc. e, apesar de tudo isso, teimam em apoiar regimes do tipo “colégio interno”, quando vemos essa triste teimosia perguntamos: não será uma questão de orgulho?



Esquerdismo e senso de humor.


Parece-me que, em regra, o esquerdismo não se dá bem com o senso de humor. Uma clássica exceção aqui no Brasil foi a do engraçadíssimo Barão do Itararé, pseudônimo do genial jornalista Aparício Toreli.
Contam um fato muito curioso, ocorrido há muitos anos em nosso país. Três militantes comunistas, dois homens e uma mulher, coincidentemente os três gordos, bem gordos, reuniram-se certa vez em um apartamento no Rio para tratar de seus planejamentos políticos.
Terminada a reunião, os três se propuseram, de comum acordo, que cantassem em coro a Internacional Comunista, o hino universal do Partido. Assim começaram. Porém, existe no meio da letra do tal hino um trecho que diz isto: “nós, os famintos do mundo”. Quando a mulher ouviu isso, olhando para seus companheiros e para si própria, não se agüentou: desandou na maior gargalhada. Uma semana depois deixava o PCB. (essa mulher é uma inspirada poetisa brasileira).


posted by ruy at 1:45 da tarde

19.5.03

 
O papel da inteligência.

É muito possível que no Céu estejam multidões de pessoas incultas (mesmo sem falar, é claro, nos que morreram ainda crianças). De pronto me acode o exemplo magno de Santa Catarina de Sena, que é Doutora da Igreja e era analfabeta quando passou por este mundo.
Entretanto, este fato não deve significar para nós que devamos desprezar o bom uso da inteligência. Não é concebível, por exemplo, que um(a) jovem universitário(a) batizado(a), católico(a) ignore o que significa um sacramento, que ignore a diferença entre um sacramento e um sacramental; que ignore a história maravilhosa do Cristianismo e a dramática (sem nenhum exagero neste adjetivo) repercussão da mensagem do Cristo ao longo dos tempos. Só existe realmente drama quando a liberdade humana é respeitada. E Deus tem uma inefável paciência ! Que tal usar voluntariamente a inteligência para pensar seriamente nestes assuntos ?



Maeterlink.

Lendo o texto de Assunção Medeiros no Outonos de 16 de maio vi a referência a Maurice Maeterlink. Nada li desse famoso prêmio Nobel de literatura, mas seu nome para mim está ligado a duas gratas lembranças. A primeira é a de um lindo filme a que assisti quando era menino, baseado em livro do escritor belga: “O Pássaro Azul.”A segunda lembrança é de que foi através de um livro (ou artigo, não me recordo bem) de Maeterlink que o casal Maritain ( Jacques e Raíssa) tomou conhecimento da existência da obra de Leon Bloy, o magnífico “Mendigo Ingrato”, o Peregrino do Absoluto.



Diferenças culturais.

No mesmo texto referido no item anterior, a autora nos diz as seguintes palavras:


“ As pessoas hoje em dia acham que o centro do universo é algum ponto entre seu peito e baixo ventre. A busca pela satisfação dos apetites toma hoje em dia quase todo o tempo do homem e da mulher. Salões de beleza, masculinos e femininos, spas, cirurgias cosméticas de vários tipos, comidas e bebidas cada vez mais elaboradas, camas e sofás cada dia mais macios e confortáveis. E o ser humano cada dia mais acomodado e insensível. Não se chega ao nível de desmando e criminalidade que chegamos da noite para o dia.
Vocês não acham que o traficante tenha algo a ver com o conforto e hedonismo em que vivemos? Não? Para quê vocês acham que ele quer todo aquele dinheiro e todo aquele poder? Quem consegue imaginar um movimento altruísta de Fernandinho Beira-Mar? Porque será que as músicas de hoje em dia lidam quase que exclusivamente de sexo? Gratificação pessoal a qualquer custo é o primeiro passo que leva à situação que enfrentamos hoje no Rio de Janeiro, onde não há respeito a coisa alguma, nem à velhice, nem à juventude, nem à inocência, nem aos pais. E não há sequer um fiapo de sentimento de doação em quem quer que seja. Nenhum sacrifício, por menor que seja, é feito em nome de um irmão.”


Note-se que está sendo descrito para nós um contexto cultural, o de nossos dias.
Na Idade Média havia o roubo, o assassinato, o estupro. Havia a ambição e a vaidade. A enorme, a gigantesca diferença entre a cultura deles é a nossa é que eles davam o nome aos bois; ambição era mesmo ambição, e não: “espírito empreendedor”. Os medievais não promoviam todos aqueles vícios descritos no trecho acima citado.E respeitavam aquilo que deve ser respeitado. Em conseqüência, os maus sentiam-se cercados, e os bons eram incentivados a serem melhores.E isso, meus amigos, isso é que faz existir ou não uma cidade humana. Quando, por exemplo, o crime é covardemente chamado de “violência”, mais cômoda, mais desenvolta fica a atuação do criminoso.
(desculpem o desabafo...)




posted by ruy at 2:50 da tarde

 

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