Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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4.5.03

 
O terrível problema da desesperança no mundo moderno.


Em seu blog: “Olhando o Mundo”, Magno S. Jr. postou ontem uma reflexão sobre o sério problema da desesperança que se espalhou pela civilização Ocidental. Não importa o regime político.Todos os países ocidentais padecem dessa silenciosa enfermidade. Em remoto passado, naquela época que os ignaros chamam de “Idade das Trevas”, os homens acreditavam de fato na existência do Céu, desejavam-no, ao mesmo tempo que temiam o Inferno. Essa crença não os tornava moralmente, homem por homem, melhores que nós. Porém, com certeza impedia, por exemplo, que eles agredissem a si próprios com o absurdo consumo de drogas.Por quê? Porque para eles a vida, a vida de cada um deles, tinha sentido. Quando se perde o sentido da existência, sobrevém o tédio, e este, por sua vez, é a porta, o comum caminho para o uso da droga.



Rezar pelos outros.


Meu amigo Magno escreveu também um poema sobre a oração “pelos outros”.Teve a bondade de me enviar cópia. É a que vai a seguir transcrita:



Sobre a função de “rezar por”


(Magno S. Jr.)



Pensa nos que estão distantes,
e que talvez nem pensem em ti.
Cada pessoa tem sua própria história.
Usa, pois, tua imaginação, tua memória,
e logo, em tua mente despertada,
biografias tristes serão lidas
pelo olhar da compaixão.
Esquece um pouco as dores corporais dos outros
(até as mais dolorosas,
são dores que não custa imaginar).
Concentra-te, portanto, nas demais:
as dores silenciosas,
os invisíveis queixumes,
os prantos que se escondem humilhados,
nos corações machucados.
E lembra-te mais, muito mais ainda,
dos que não sabem,
ou disso já não se lembram,
como se faz para chorar.

Pede, pois, a Deus por todos esses esquecidos.
Que Ele escute os seus ocultos gemidos,
e lhes dê consolação.



Tempos difíceis...

Um grande amigo, em conversa comigo hoje de manhã, comentava o absurdo, a quase blasfêmia da missa celebrada em São Bernardo do Campo no dia 1o. de maio.


posted by ruy at 7:41 da manhã

3.5.03

 
Peço ao leitor que leia, por favor, com a máxima atenção o texto a seguir transcrito:



"Nós temos que enfrentar com mais coragem a questão da droga.
Em relação à AIDS, por exemplo, lançamos uma política que acabou sendo incorporada pelo Ministério da Saúde.O cidadão recebe a seringa e a partir do momento que admitimos que ele é usuário de droga teremos dados para serem cadastrados e analisados.
Em relação à droga, uma iniciativa ousada está sendo discutida inclusive no Senado. Se reconhecemos que alguém é dependente, ele pode receber oficialmente, dentro do comércio legal, a droga que necessita.
Ao entregarmos a seringa e a droga, resolvemos o problema da contaminação da AIDS e impedimos o comércio ilegal. Não é isso que gera toda violência ?
Temos que ter coragem para enfrentar essa discussão.”



Convém que o leitor releia o que acabou de ler. Trata-se de parte de uma entrevista dada há poucos dias por uma senhora, com quase cinqüenta anos de idade, casada, mãe de família e que exerce, com grande eficiência, não menor seriedade e um conseqüente enorme prestígio político, importante cargo público em um progressista Estado deste país.
Sinto-me obrigado a fazer estes comentários sobre o que ali está em itálico:


a)- embora a honestidade seja virtude sumamente necessária a alguém que exerça um cargo público, vemos que ela não é suficiente para que o bom administrador esteja corretamente direcionado ao Bem Comum;

b)- o Bem Comum de uma sociedade humana é alcançado quando todas as suas pessoas vivem suas vidas com dignidade. Ora, mesmo sem agredir os outros, quem faz uso da droga não vive com dignidade;

c)- a verdadeira coragem, que é uma das quatro Virtudes Cardeais, implica a firme disposição de dizer “não” à mentira, à meia-verdade e ao erro, ainda que esse “não” traga desprestígio a quem o diga;

d)- a chamada “questão da droga” de fato existe; mas sua origem, complexa, é sobretudo cultural. Está relacionada com a decadência filosófica e religiosa do Ocidente. Quem tomou conhecimento de certa missa celebrada em São Bernardo do Campo no dia 1o. de maio último poderá ter uma pista para entender a que estou me referindo;

e)- usar o termo “violência” para se referir à criminalidade hoje existente nas grandes cidades (e nas pequenas também...) é agir como o avestruz, que, em perigo, esconde a cabeça na areia.É contribuir para esconder o nefando crime organizado;

f)- ajudar um viciado a usar droga é faltar com a caridade devida àquele infeliz.



Em uma civilização impregnada de laicismo e secularização, em que a maioria das famílias - contrariando a forte recomendação Paulina - vive instalada, conformada com o mundo, tais reflexões dificilmente ocorrem.
Meu colega e amigo Conrado, ao tomar conhecimento das idéias e das propostas da referida senhora, fez de imediato o seguinte comentário: “o que ela propõe é mais ou menos como uma pessoa que, a pretexto de ajudar, colocasse uma pesada pedra sobre a cabeça de alguém que estivesse se afogando...”


Por esta e outras é que não devemos aceitar o absurdo nome: “Ministério da Educação”. Tinha que ser: Ministério do Ensino, ou Ministério da Escolaridade. Somente os adultos podem ser educados, e quem se educa é a própria pessoa, mediante um continuado processo que dura a vida inteira.


posted by ruy at 7:48 da manhã

2.5.03

 
De volta a esta cidade grande e a este pequeno oásis.



A liberdade humana.


Talvez o atributo mais admirável, mais importante do ser humano seja mesmo a sua liberdade, o seu livre-arbítrio. Lendo o post (de 23/abr/03) em que Alexandre Soares Silva nos fala sobre Hitler e a biblioteca do ditador nazista, fiquei pensando naquele maravilhoso atributo. Por quê?
Em julho de 44, se não me engano no dia 20 (aniversário de minha irmã), ocorreu o famoso atentado de que Hitler, espantosamente, escapou vivo. Seguiu-se uma tremenda perseguição aos culpados, com torturas e execuções bárbaras. Sorte teve o oficial (Stauffenberg) que levou a pasta com a bomba, já que teve morte rápida, por fuzilamento.
Ora, tendo escapado vivo, Hitler interpretou o fato como um verdadeiro sinal de predestinação divina. Para ele, a sobrevivência confirmava sua vocação de líder carismático. Desgraçadamente, a segunda guerra mundial na Europa continuou até maio de 45.Por quê? Entre outros motivos, certamente porque não passou pela cabeça do neurótico Adolfo a seguinte idéia que poderia tê-lo inspirado, quem sabe, a dar uma guinada fantástica na história do mundo: a idéia de que existe um profundo mistério na permissão divina, a qual respeita, com infinito “fair play”, a liberdade humana. Porém, infelizmente, todos os ditadores, de Esquerda ou de Direita, nem sequer pensam naquele mistério. A propósito, vale a pena lembrar o caso do Brasil. Se Getúlio Vargas, em 1954, tivesse simplesmente renunciado à presidência, e não cometido o ato insano que o tirou do Catete, outra com certeza teria sido a sorte deste nosso pobre país...
É bem recente o caso do fuzilamento dos três cubanos que queriam fugir do “colégio interno”. Deus nos colocou no Paraíso; fomos nós, seres humanos, que, livremente, inventamos os diversos tipos de “colégio interno”.Deus confia na liberdade do homem; nós homens temos uma permanente desconfiança com relação a esse atributo...



Fome Zero.


Tão logo o resultado da apuração eleitoral configurou a indiscutível vitória do então candidato Lula, os mentores do PT, assessores do quase presidente, divulgaram aquilo que seria a grande meta do governo petista: o programa Fome Zero. Feita a estrondosa divulgação, meses antes da posse em Brasília, o jornal O Estado de São Paulo publicou um editorial que pode ser apontado como modelo de várias desejáveis características em textos semelhantes. Ali distinguimos, a par de uma linguagem correta: a precisão, a concisão e sobretudo a sensatez. Resumindo: um documento sábio. Para ser mais específico, registro agora alguns pontos interessantes lembrados pelo editorial:
a)- “no governo anterior (FHC) , já existiam em bom funcionamento no Brasil os programas da Merenda Escolar, da Bolsa- Alimentação e da Bolsa Escolar. Em algumas localidades, quase 100 % das crianças entre 7 e 14 anos vinham recebendo duas refeições por dia;”

b) - “É preciso, também, compreender o que o Programa Fome Zero entende por "fome". A fome ocorre quando não há o que comer em regiões inteiras, devastadas pela seca, por inundações, por pestes ou pela guerra. Quando há fome, as pessoas morrem às centenas e milhares de inanição, como aconteceu recentemente na Etiópia, na Somália e na Coréia do Norte, por exemplo. No Brasil, felizmente, não há fome. Mas há desnutrição, ou subnutrição, ou seja, parcelas importantes da população ingerem uma quantidade de calorias que não atende aos requisitos mínimos diários. Não morrem por falta de comida, mas ficam mais sujeitas a doenças típicas da desnutrição; as crianças com deficiências protéicas não têm desenvolvimento neurológico que lhes permita aprender normalmente. Somente isso bastaria para que o combate à subnutrição fosse a primeira preocupação dos governantes.”

c)- “O Programa Fome Zero considera que existem cerca de 46 milhões de pessoas subnutridas ou que estão na faixa da "insegurança alimentar", baseando-se na baixa renda das famílias. O programa faz uma relação simplista: quem não tem renda suficiente para comprar alimentos com qualidade, quantidade e regularidade básicas padece de subnutrição. Mas isso não é verdade.O diretor da área social do IPEA, Ricardo Paes de Barros, adverte que o critério para a determinação do universo das pessoas subnutridas ou
mal nutridas não pode ser a renda. Há famílias com renda abaixo da linha de pobreza que não passam fome, pois contam com redes de solidariedade, como os programas governamentais em funcionamento, as organizações religiosas e entidades assistenciais. E há famílias subnutridas, mesmo tendo renda acima da linha de pobreza. E isso ocorre, segundo Paes de Barros, porque "é mais fácil dar comida do que complementar renda".

d)- “A subnutrição deve ser aferida não pela renda, mas por critérios antropométricos. Massa corporal insuficiente - magreza excessiva e baixa estatura - é um dos indícios seguros da existência do problema. Em 1975, 9,5% dos adultos apresentavam essa característica. Em 1997, quando foi feito o último levantamento, o porcentual havia caído para 4%. E a baixa estatura entre as crianças caiu de 32,9% para 10,4% no período. Esses números indicam que a desnutrição está regredindo acentuadamente. Mas ainda existiriam cerca de 17,5 milhões de pessoas - e não 46 milhões - que se alimentam mal.”


Leitor, por favor, divulgue tudo isso entre seus parentes e amigos!





posted by ruy at 9:10 da manhã

 

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