Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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13.4.03

 
13/abr/03.
(Começa hoje a Semana Santa, a Semana Maior. Obviamente, maior não no tamanho; já que todas as semanas têm a mesma duração; porém, maior, sim, em seu tremendo significado, sem exagero algum no adjetivo. Neste instante é bem conveniente que Ruy Maia Freitas se cale e deixe falar alguém muito mais categorizado).

“Como compreender a misericórdia de Deus? Como entender a Cruz de Cristo? Não haveria um outro caminho, mais à medida de nossa sensibilidade, para a salvação do homem? Claro que haveria. Mesmo no plano de Deus feito homem, Santo Tomás nos diz que uma gota de sangue de Cristo, um gesto seu seria suficiente para resgatar a humanidade inteira. Por que então a cruz e tudo o que ela envolve ?
Longe de nós, longe da ousadia do pensamento humano querer decifrar o mistério da Cruz. Mas, mesmo sem penetrá-lo, e até por não penetrá-lo, podemos dizer que a Cruz não só foi o caminho mais dignificante para o homem, mas também o mais digno de Deus.
Esta segunda afirmação talvez seja a mais misteriosa. Nós costumamos explicar a cruz como um caminho escolhido por Deus para dar a maior amplitude à dignidade do homem pela Redenção. Deus escolheu essa via por ser a que mais favorecia o homem. A bondade de Deus quis dar ao homem o máximo que poderia dar. E assim é realmente.”

(Dom Lourenço de Almeida Prado, OSB, no livro: “Na procura de Deus”, páginas 188 e 189; Editora AGIR, 1992).

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“Mas longe de mim gloriar-me eu senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu crucificado para o mundo.”
(São Paulo, em sua Epístola aos Gálatas, capítulo 6, vers. 14).

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Até o próximo Domingo, meus amigos!


posted by ruy at 8:33 da manhã

12.4.03

 
12/abr/03.
Meu amigo Magno escreveu um poema a que chamou: “Apêlo”, que é (ou isso o poeta deseja que seja) um apêlo a que prestemos atenção em tudo o que esteja bem perto de nós: um simples lápis, uma cadeira sem enfeites, um prosaico par de chinelos, a caixa de fósforos com que acendemos o gás para o café matinal, e vai por aí. Acho que vai ser difícil que Magno consiga isso...Hoje em dia a maioria de nós está muito mais atenta a suas próprias opiniões, opiniões essas bem alimentadas diariamente pelo noticiário dos jornais e da televisão; muito pouca gente vai se ligar nesse “convite metafísico”...Mas, em todo o caso, vamos ao poema:


Apêlo.

(Magno S. Jr.)

Vençamos a timidez que nos inibe,
E nos impede de falar sobre a verdade.
Não a verdade moralista e fácil,
Tão comum de achar na multidão,
Como por exemplo:
“ O deputado Fulano de Tal é ladrão”.
Mas a verdade sobre coisas bem perto de nós,
Cada uma delas, silenciosa e mansa,
À espera de um olhar atento,
Um olhar capaz de ver,
Através da pesada cortina da rotina,
Essa rotina que é, talvez,
O mal mais espalhado neste mundo.

Nenhum objeto é banal !
Nesta frase, bem resumida,
Vai meu pequeno grito de inquietude,
Talvez um pouco ridículo,
Porém cheio de esperança,
Teimosa,
De convencer alguém, leitor deste poema,
Desta verdade aparentemente prosaica:
Nenhum objeto é banal !

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Educação.
“ Educação é um processo espiritual.É o que a distingue do simples adestramento.Os animais são adestráveis, mas, a rigor, não são educáveis. O agir humano se qualifica por um ato espiritual de escolha e discernimento.Educar-se não é aprender a fazer, mas aprender a agir. É no espírito e pelo espírito que o homem julga e escolhe. Não se educa criando automatismo, isto é, produzindo de fora para dentro.Isso seria apenas adestrar.Educa-se aprimorando o espírito – a inteligência e a vontade – para que a criatura, possuindo-se a si mesma, tenha a capacidade interior de ser reta no escolher. Toda educação tem por mira o que chamamos: o homem de bem. Ser educado não é possuir técnicas, saber fazer isto ou aquilo, mas saber avaliar o que é bom e segui-lo”.
( Dom Lourenço de Almeida Prado, OSB, no livro: “EDUCAÇÃO - Ajudar a pensar, sim.Conscientizar, não.” ,página 249; Editora AGIR, 1991).

Que o leitor leia bem de vagar o que o insígne educador brasileiro diz no texto acima citado e, depois reflita se é cabível o absurdo nome Ministério da Educação.Reflita se é cabível entregar ao Estado o encargo da minha educação.





posted by ruy at 12:04 da tarde

11.4.03

 

11/abr/03.
No próximo Domingo, dia 13, começa a Semana Maior : a Semana Santa. Isto soa, para mim pelo menos, de modo bem melancólico.Faz lembrar épocas distantes, no tempo em que tal semana não era apenas pretexto para um feriado prolongado. Porém, hoje vivemos, no Ocidente, em uma sociedade que sofre do “complexo de Parseval”: esqueceu o endereço da Casa Paterna...
A chamada Guerra do Iraque está chegando ao fim. Antes dela, outras guerras também chegaram aos seus respectivos fins: a Segunda Mundial, a da Coréia, a do Vietnam, a do Golfo, a dos Seis Dias, a das Malvinas, etc. O “etc.” aqui, prezado(a) leitor(a), não significa nenhum cinismo. Foi ali colocado para reforçar esta verdade: todos esses conflitos bélicos destes dois últimos séculos chegaram ao seu término, não importa o quanto tenham demorado.E agora? Acabado o motivo para os diversos tipos de manifestações pacifistas - umas bem exaltadas, outras “sexy”, como a das 700 mulheres australianas que, formando com seus corpos o desenho de um enorme coração e frases contra a guerra, posaram nuas diante das câmeras de televisão – acabado, pois o motivo para tanto alarde, agora tranqüilamente podemos todos voltar à nossa costumeira instalação no mundo.
O insuperável Leon Bloy, hoje posto no time dos grandes esquecidos, certa vez escreveu isto:

- “ Sim, sua feiúra (do mundo atual) visível é pavorosa, mas a sua feiúra invisível, a sua verdadeira feiúra, quem a poderá descrever ? Refleti que a fé morreu, que o cristianismo está enterrado. Como quererão que não sucedam terríveis desgraças ?”


Quem vai refletir nessa “feiúra invisível” a que o Peregrino do Absoluto se referiu? Aliás, quem vai se preocupar com o Absoluto? O que mais importa é empurrar com a barriga a inelutável realidade da morte. As notícias sobre uma guerra no mundo de hoje, além de nos contristarem com as cenas arquidolorosas das populações civis atingidas por armas de grande poder de destruição, são sempre notícias incômodas porque estão sempre nos lembrando, de modo trágico, nossa fragilidade e nosso inevitável destino biológico.Há alguns que escamoteiam o problema criando o fantasioso mundo da reencarnação, maneira marota de se acomodar na vida.
A palavra desespero, em um primeiro instante, lembra coisas tais como: choros convulsivos, gritos, imprecações.Mas, no mundo Ocidental de hoje existe, sem ser percebido, um generalizado desespero manso, parte essencial daquela feiúra citada por Leon Bloy.
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“Nollite conformari huic saeculo”. . É o que está na Epístola de São Paulo aos Romanos, capítulo 12, vers.2.: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”.
(comentando estas palavras, Bloy – que nunca foi um acomodado - dizia que nós, os cristãos modernos, fazemos tudo ao contrário da recomendação Paulina, ou seja: procuramos sempre um jeitinho de nos acomodar no mundo).







posted by ruy at 11:54 da manhã

10.4.03

 

10/abr/03.
Erros antigos.
Por duas ou três vezes já escrevi neste “blog” ou alhures sobre um antigo e grave erro que vimos cometendo em nosso país, a saber: o nome Ministério da Educação, impropriedade essa que se constitui em uma perigosa ofensa à dignidade da pessoa humana, única responsável por sua educação.O nome correto deveria ser, conforme já explicamos: Ministério do Ensino, ou Ministério da Escolaridade.
Ora, não é “privilégio” do Brasil conservar um erro grave durante décadas, erro que passa despercebido por milhares e milhares de pessoas, ano após ano. Nos Estados Unidos, mais especificamente, na famosa cidade de Nova York, lá está a estátua que é, por assim dizer, o cartão postal da cidade, e até mesmo um símbolo do grande país do Norte: a estátua da Liberdade, doação dos franceses aos americanos. Pois bem, na base da estátua está gravada uma frase que é – na atilada opinião dos doutos – um verdadeiro “solecismo filosófico”, a saber: “ La Liberté eclarte le monde.” : “A Liberdade ilumina o mundo”.
Por que “solecismo filosófico” ? Porque quem de fato ilumina o mundo é a verdade.
A frase referida é bem um sinal da mentalidade que gerou os nacionalismos modernos, construídos que foram sobre orgulhosos, arrogantes voluntarismos.Isso deveria ser matéria para profundas reflexões.Deveria, porque nesta época de muita televisão e pouca leitura de livros, quem se dá ao trabalho de refletir seriamente sobre alguma coisa ?
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O ouvido humano se estrutura em três partes: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno. No ouvido médio ficam localizados três ossinhos : o martelo, a bigorna e o estribo, nomes esses sugeridos pelas semelhanças físicas com os objetos usados pelos ferreiros em seu trabalho.
Ocorre o seguinte fato: esses três ossinhos exercem, na fisiologia auditiva, um função que é análoga ao do chamado “transformador casador de impedâncias”, um circuito usado na engenharia elétrica, eletrônica ou de telecomunicações. Mais especificamente: eles casam a impedância acústica do ambiente do ouvido externo, que é gasoso, com a impedância acústica do ambiente do ouvido interno, que é aquosa, com isso facilitando a transmissão da energia sonora. O formato, a massa, o momento de inércia desses pequeninos ossos, tudo isso, por assim dizer, está rigorosamente calculado para obter aquele importante efeito físico !
Diante desse fato, que depõe de modo brilhante contra o superficial e apressado determinismo, pode aparecer alguém que fale em Deus como se Ele fosse um Grande Engenheiro ou um Grande Arquiteto. Entretanto, para mim pelo menos, seria bem mais adequado ver o Criador como o Grande Poeta !
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Um soneto quinhentista de Abgar Renault (composto em 1923, quando o poeta tinha 22 anos):
IV

Essa vossa serena fermosura,
Que as mostras vos empresta de uma santa,
Tanto mais a frieza vossa apura
Quanto mais a minh’alma prende & encanta.

Mostraes vossa esquivança em tal ventura,
Co hum riso feito de belleza tanta,
Que já não sabe alfim minha tristura
Se esse desdém se augmenta ou se aquebranta.

De tal sorte esquivaes, gentil Senhora,
O meu Amor, de guisa tal tecendo,
E destecendo a trama deste engano,

Que, se hei perdido huma esperança agora,
Outra virá bem cedo apparecendo,
Pêra asinha volver-se em desengano.


(logo apresentaremos um mini-currículo do poeta).







posted by ruy at 4:02 da tarde

9.4.03

 


9/abr/03.
Não sou muito de acompanhar entrevistas na televisão, mas, de em vez em quando acontece de passar na sala e ser atraído pela curiosidade.Foi assim que, há dois dias, vi e ouvi por acaso quando um ministro do atual governo dava entrevista a respeito da guerra no Iraque.
Seguro de si e sorridente, disse o entrevistado que essa guerra nos mostrava, de modo bem claro, uma inaceitável atitude dos Estados Unidos, os quais, ignorando os parâmetros do Direito Internacional, agiram de modo egocêntrico e arbitrário ao atacar aquele país do Oriente, uma iniciativa belicosa que seria, segundo explicou o ministro, parte de um ambicioso plano geopolítico, e não apenas um desejo primário (como muitos pensam) de tomar para si o petróleo do Iraque. Disse mais Sua Excelência. Dado o evidente poderio bélico dos americanos, só haveria um meio de fazer o grande país do Norte acatar docilmente eventuais orientações da ONU, e com isso não mais tomar iniciativas como essa que levou destruição e morte a Bagdá, meio esse que seria: a pressão interna do povo americano contra seus próprios dirigentes políticos.Embora ele não tenha levado o argumento às ultimas conseqüências, acho que o ministro acredita mesmo, piamente, em um mundo dirigido por esse colegiado de nações, um mundo em que as pessoas viverão bem comportadas e felizes para sempre...
René Descartes se estivesse ainda, em carne e osso, entre nós, veria como a sua filosofia simplificadora, “cartesiana”, acabou por abagunçar com o pensamento dos homens.Veria também o sorriso, em “close”, quando o ministro acabou a simpática entrevista. *<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
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Conspurcar é uma palavra desagradável e feia. Mas é a que melhor ocorre para me referir ao que, infelizmente, muitas pessoas vêm fazendo no uso desse belo recurso tecnológico das modernas telecomunicações que é a Internet. São verdadeiros “adolescentes teimosos” que se recusam a amadurecer. Sorriem; mas é o riso do deboche, do tédio, da desesperança.
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Três haicais.



Saudade.

O primeiro encontro,
Repetido na memória:
Agridoce encanto.



Despedida.

Beijos demorados,
Olhares cheios de mágoa,
E um vazio imenso...



Inocência.

Risos de criança:
Ou fazendo travessura,
Ou feliz da vida !.













posted by ruy at 3:46 da tarde

8.4.03

 
8/abr/03.
Um erro grave e antigo.
Já escrevi neste “blog” sobre o assunto, mas, sua importância é tão grande (pelo menos para mim) que volto a falar sobre ele.
Trata-se de um erro grave e antigo. O fato de ser antigo não deveria torná-lo ausente de nossas preocupações. É bem um exemplo de como, em geral, somos mais atentos aos fatos que agridem nossa sensibilidade. Quando o erro, para ser percebido na exata medida de sua perniciosidade, precisa ser visto com os olhos serenos da inteligência, então bem poucas serão as pessoas a se angustiar com o problema.
Há várias décadas existe no Brasil o chamado Ministério da Educação; vimos convivendo com esses termos que constituem um infeliz, um pernicioso erro, qual seja : o de confundir escolaridade com educação.
Neste instante prefiro passar a palavra a um homem que passou sua longa e útil vida dedicando-se a ensinar aos outros homens a sabedoria que nos foi legada pelos séculos passados, sendo ele, portanto, destituído da vaidosa pretensão de ser um criador de novidades. Se em alguma coisa ele inovou, foi, sim, no papel de um hábil e eloqüente arauto; de alguém que sabia apresentar antigas e luminosas idéias expressas em um estilo novo, acessível a nós modernos. Ele foi, sem dúvida alguma, um exímio educador. Estou me referindo ao Doutor MORTIMER JEROME ADLER, falecido há poucos anos, quase centenário.
Em um de seus inúmeros textos : “ Schooling is not Education”, aplicando conceitos colhidos em Platão e Aristóteles, diz-nos o ilustre americano:
For more than 70 years, a controlling insight in my educational philosophy has been the recognition that no one has ever been -- no one can ever be -- educated in school or college.That would be the case if our schools and colleges were at their very best, which they certainly are not, and even if the students were among the best and the brightest as well as conscientious in the application of their powers.
The reason is simply that youth itself -- immaturity -- is an insuperable obstacle to becoming educated. Schooling is for the young. Education comes later, usually much later. The very best thing for our schools to do is to prepare the young for continued learning by giving them the skills of learning and the love of it. Our schools and colleges are not doing that now, but that is what they should be doing

E, no final do texto ora citado, ele afirma:
If our schools and colleges were doing their part and adults were doing theirs, all would be well. However, our schools and colleges are not doing their part because they are trying to do everything else. And adults are not doing their part because most are under the illusion that they had completed their education when they finished their schooling.Only the person who realizes that mature life is the time to get the education that no young person can ever acquire is at last on the high road to learning. The road is steep and rocky, but it is the high road, open to anyone who has the skill in learning and the ultimate goal of all learning in view--understanding the nature of things and man's place in the total scheme.
An educated person is one who trough the travail of his own life has assimilated the ideas that make him representative of his culture, that make him a bearer of its traditions and enable him to contribute to its improvement.

Se o leitor leu com muita atenção os trechos acima transcritos, deve ter percebido ( ou até mesmo se lembrado) que a educação é uma atividade essencialmente pessoal, é um problema de cada um de nós. Não cabe ao Estado dar palpites, fixar normas, regras para a minha educação, para a sua educação, caro(a) leitor(a). Aceitar essa intromissão do Estado é o mesmo que se prestar ao papel miserável de um escravo.E esta é a razão pela qual o Ministério teria que mudar seu nome! Deveria ser: Ministério da Escolaridade, ou Ministério do Ensino! Meditemos bem nesta idéia. (e desculpem a ênfase do Ruy).





posted by ruy at 10:26 da manhã

7.4.03

 
7/abr/03.
Historieta do sábio zen.
Esta história me foi contada há muito tempo por uma pessoa que, em certa hora difícil, me ajudou a enfrentar um problema.E possível que muitos já a tenham lido ou ouvido. O mais importante é a mensagem que ela contém; por isso vale a pena repeti-la.
Certa vez, em certa região do oriente, vinha por uma estrada um sábio zen, acompanhado por um pequeno grupo de seus discípulos. De repente, chegaram às margens de um riacho que cortava a estrada, mas permitia a passagem a vau.
Junto ao riacho estava uma bela moça, que estava indecisa, temerosa, talvez devido ao barulho da correnteza, e por isso não se atrevia a fazer a travessia.
O sábio zen percebeu logo o problema da jovem assustada. Foi em sua direção, tomou-a nos braços, que apesar de velhos eram fortes, e, em seguida, tranqüilamente caminhou por dentro das águas, terminando por colocar a moça do outro lado, em perfeita segurança. Isso feito,continuou seu caminho como se nada houvesse acontecido. Seus discípulos atravessaram também e continuaram atrás dele.
De repente, o sábio zen percebeu um zum-zum, um rumor de conversa ou discussão que estaria sendo mantida pelos moços que o seguiam. Parou, pois, e perguntou a eles:
- “O que é que vocês estão falando aí atrás ?”
Os discípulos ficaram encabulados, alguns olhando para o chão sem coragem de encarar o mestre. Mas, um deles, menos tímido, explicou:
- “Mestre! É que vimos o senhor lá, na margem do rio, levar aquela mulher nos braços...”
Então o sábio zen lhes disse:
- Ah ! É isso ? Vejam bem: eu deixei aquela mulher lá trás. Porém, vocês? Vocês continuam com ela nos braços até agora ! “
A historieta termina aqui.
Infelizmente, muitas vezes procedemos como os discípulos do sábio zen. Teimosamente guardamos na memória certos fatos que deveriam ter ficado esquecidos às margens de algum regato, na longa estrada da vida...
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Versos de Florisbela Espanca, ontem enviados a mim por uma pessoa muito amiga:

“Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade".

(Obrigado, R... !)
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Ontem, falávamos no “Terceiro Homem”,aquele de quem sempre nos deveríamos lembrar em nossas ações. Mesmo porque ele mesmo nos disse isto: “sem mim , nada podeis fazer.”É claro, existem o fazer e o agir. Aquela frase se refere muito mais ao agir, isto é: o fazer em que existem implicações morais. É aquilo que fez São Paulo perguntar, naquele dia, na estrada de Damasco: “Senhor, que quereis que eu faça ? ”


posted by ruy at 8:35 da manhã

 

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