Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





Arquivos:





Fale Comigo

30.3.03

 
30/mar/03.
Voltar aos lugares por onde andávamos, onde vivemos há muitos anos, em um passado distante, sempre traz algumas frustrações, sendo talvez a menor aquela que se refere ao encontro (ou desencontro...) com a modificação da paisagem, do ambiente urbano e de certos costumes locais.A modificação do cenário.
A maior frustração mesmo é aquela que sentimos interiormente, ao verificar a absoluta irreversibilidade do tempo; é perceber que nosso papel naquela peça em certo dia acabou. Nesse momento, a ação da memória nos provoca a saudade e esta, por sua vez, se apresenta com aquele gosto que um lugar comum chama de “agridoce”. É lugar comum, mas nem por isso é falso.
Se não me engano, foi Leon Bloy quem disse isto: “sofrer passa; haver sofrido não passa”.
Que o Peregrino do Absoluto nos permita dizer também: “alegrar-se passa; haver se alegrado não passa”.
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
Jean-François Mattéi, em uma das páginas do livro a que nos referimos ontem, cita o famoso trecho da sombria visão profética de Tocqueville, em seu clássico ensaio : “A Democracia na América ”, quando o atilado francês nos diz:

-“Vejo uma multidão inumerável de homens semelhantes e iguais que giram incansavelmente ao redor de si mesmos em busca de pequenos e vulgares prazeres com que preenchem a alma.Cada um deles, posto de lado, é como um estranho ao destino de todos os outros; os filhos e os amigos particulares formam para eles toda a espécie humana; quanto ao restante de seus concidadãos, está ao lado deles, mas não os vê; toca-os , e não os sente; ele só existe em si mesmo e unicamente para si”.

A mediocridade de grande parte dos programas de televisão vem há muitos anos contribuindo para tornar as pessoas comuns mais predispostas à “busca de pequenos e vulgares prazeres com que preencham a alma”.
Uma boa Cruzada para nossos dias seria, portanto, junto de nossos parentes, amigos e colegas, nos predispormos a falar sobre isso, a escrever sobre isso e, em paralelo, a lembrarmos, a nossos parentes, amigos e colegas, o mundo de enormes alegrias, mais profundas, que podem estar reservadas a um bom leitor de livros!
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
Uma reflexão que deveria ser lida e meditada pelos responsáveis pelo ensino em nosso país:

“De todas as criaturas na Terra, os seres humanos são os menos especializados em equipamento anatômico e em modos de comportamento instintivo. São, em conseqüência, mais flexíveis do que outras criaturas em sua habilidade de ajustar-se às mais amplas variedades de ambientes e a circunstâncias externas rapidamente cambiantes.Ajustam-se a todos os climas e condições na Terra e perpetuamente se adaptam ao choque da mudança.

É por isso que o ensino geral, não especializado, tem a qualidade que é a mais conveniente para a natureza humana. E é por isso que, em termos do que é prático e útil, constitui-se em opção melhor do que qualquer outro tipo de ensino.”
( Mortimer Jerome Adler, in : “A Proposta Paidéia”, tradução de Marília Lohrmann Couri; editora Universidade de Brasília, 1982. Da vasta bibliografia do insigne educador americano, apenas três livros foram, no Brasil, traduzidos para o português...).


posted by ruy at 7:08 da manhã

29.3.03

 



29/mar/03.
Por sugestão do meu amigo Luís António, estou lendo: “A barbárie interior", de Jean-François Mattéi, tradução de Isabel Maria Loureiro, Editora UNESP, 2002.
Curiosamente, Mattéi – na contra-mão de uma forte corrente de pensamento – deixa clara desde o início da obra sua admiração por Descartes.
Ora, não faz muito tempo, o brilhante pensador e polêmico jornalista que é Olavo de Carvalho publicava um excelente artigo em que, usando argumentação fácil de acompanhar e fácil de entender (um processo didático agradável de ensinar filosofia a principiantes, como eu) nos mostrava Kant como o responsável pela moderna bagunça filosófica. O artigo se intitulava : “O Pai da Porcaria”.
Comentando o assunto com meu amigo Dom Ireneu Penna,OSB, ele de pronto não só concordou plenamente com o Olavo, como acrescentou: “e Descartes é o avô”.
Para quem não tem a sorte de conhecê-lo, informo: Dom Ireneu é um dos homens mais inteligentes deste país. Conhece muito bem: matemática, física, filosofia e teologia. E quando digo “conhece” quero dizer que ele tem, sobre tais assuntos, um conhecimento tal que lhe permite falar sobre eles com naturalidade, em um bom bate-papo com os amigos. Não é o conhecimento pedante de erudito, mas, sim, o conhecimento de quem é capaz de ensinar com sabedoria. Além dessas qualidades, ele tem sensibilidade musical; gosta de ouvir, em programas radiofônicos, a transmissão de boa música erudita.
Que Deus mantenha entre nós por muitos anos a presença de Dom Ireneu Penna,OSB !
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
Contado por uma senhora muito minha amiga).
Ela estava voltando de táxi para casa quando notou que o motorista estava chorando; de vez em quando, batia com os óculos no painel do carro para tirar o excesso de lágrimas.
- “A senhora me perdoe, dona. Mas, acontece que perdi minha mulher faz pouco tempo e não consigo me conformar...Ainda me lembro do perfume que ela usava; ainda me lembro até do cheiro dos remédios que ela tomava...”
Minha amiga, cujas sensibilidade e simpatia são notoriamente conhecidas, logo desandou a chorar também.
- “Como se chamava sua mulher ?”
- “Estrela...” ( sim, é isso mesmo, leitor(a) : Estrela ).
- “Lindo nome! Agora, cada vez que o senhor olhar à noite para o céu, vai se lembrar de sua mulher !”
Fico pensando isto: resistindo teimosamente contra as novelas cretinas, contra o “Big Brother” e outra baixarias, o romantismo permanece vivo entre as pessoas comuns deste país.
(idade do motorista : 72 anos).


posted by ruy at 2:57 da tarde

28.3.03

 
28/mar/03.
Um dos aspectos mais melancólicos do chamado ensino de segundo grau neste país consiste no fato de que ele deixou de ter seu importante papel auxiliar na educação da pessoa (ação educadora essa que, em geral, se faz percebida mais tarde, já que, a rigor, só o adulto é que se educa) para ser mero treinamento para o vestibular. Uma das conseqüências daquela falha pode ser observada até mesmo em alunos brilhantes, alunos com notável desempenho na vida universitária. Estou pensando, por exemplo, em certa incapacidade de fazer a apreciação sintética de um texto, uma dificuldade de enxergar a idéia-chave de quem o redigiu.
Entrega-se um ensaio de razoável tamanho a um aluno universitário. Ele leva um certo tempo lendo, tempo suficiente para a compreensão do texto. Depois, se pedirmos sua opinião sobre o que leu, em vez de começar sintetizando de modo claro o conteúdo do ensaio ou em vez de apresentar de imediato uma rápida apreciação sobre seu autor do ensaio, o leitor prefere, logo no início, ressaltar um específico trecho, para ele mais interessante, aquele que lhe agradou mais, por exemplo, ao fazer a leitura. Isso não decorre de uma falha da inteligência analítica, que às vezes pode ser até mesmo poderosa; é antes uma timidez diante da realidade total. Por quê ? Porque ele não foi, em seu tempo de colégio, convenientemente estimulado, orientado para fazer a síntese do que leu. E mais que isso: não foi orientado a expor com firmeza a síntese que fez. Tais orientações são mais viáveis em ambiente de cultura, em que esteja ausente a pragmática ênfase no adestramento para o vestibular.
Mortimer Jerome Adler, em seu livro “A Proposta Paidéia”, aponta como um dos objetivos do curso secundário : “a compreensão ampla de idéias e valores”, e recomenda para o atingimento desse objetivo o uso de um “questionário Maiêutico ou Socrático, com participação ativa dos alunos”. Mas, como conciliar estas propostas de Adler com o pragmatismo existente nos cursos preparatórios para o vestibular ?
*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*
Na caverna.

Iluminada,
Confortável.
E nós, ali sentados,
Diante do totem colorido,
Recebendo lições visuais.

Um dia,
Quando este grande inverno acabar,
Voltaremos a falar,
A pensar,
Usando palavras.

(Rio,27 de março de 2003)
*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*
Leon Bloy certa vez escreveu o seguinte: “desta vida só levamos duas coisas: as lágrimas que choramos e as lágrimas que fizemos outros chorarem”. Oxalá, penso eu, ao me serem pesadas no outro lado, as primeiras tenham peso bem maior que as segundas!
Há, sem dúvida, quem chore de raiva. Mas, o autor de “L’Exégèse des Lieux Comuns “ – ao se referir às lágrimas por ele choradas – estava, com absoluta certeza, pensando naquelas vertidas pela Caridade. Foram essas as que ele passou a vida inteira chorando.






posted by ruy at 12:01 da tarde

27.3.03

 
27/mar/03.
Está sendo divulgado através da Internet certo apelo a favor de um boicote dos produtos americanos, em represália ao bombardeio de Bagdá.
Na parte que me toca: não sou viciado em Coca Cola e sempre achei uma Antártica geladinha bem mais saborosa que o tal do uísque! Bem, mas para não perder o trem dos apelos, gostaria de fazer o meu apelo particular, qual seja: no sentido de que procurássemos, até com sofreguidão, tudo o que de bom existe nos Estados Unidos! Começaríamos lendo tudo, tudo mesmo, aquilo que MORTIMER JEROME ADLER escreveu ao longo de sua larga e útil vida biológica (lá na Eternidade ele não precisa escrever nada; deve estar apenas olhando, ultrafeliz, Aquele sobre quem escrevia neste mundo). No que se refere a poesia, nós, que gostamos de ler Carlos Drummond de Andrade, poderíamos, por exemplo, ler um Robert Frost, que nos deixou versos como estes:

“ They can not scare me with their empty spaces,
Between stars, on stars where no human race is;
I have it in me, so much nearer home,
To scare myself with my own desert places.”

Lamento haver perdido meu exemplar da excelente revista (americana) National Geographic Magazine em que estava, junto com aqueles versos, uma pequena biografia de Frost .
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
Em alguma vez na vida, o leitor provavelmente já deu um pequeno, um minúsculo corte em um dedo da mão, por exemplo.Deve ter percebido que a cicatrização se fez com uma notável rapidez, mesmo sem ser preciso o uso de algum remédio qualquer. Ora, esse aparentemente simples fenômeno da cicatrização envolve na realidade um ultra-complexo processo bioquímico que vem descrito em minucioso roteiro e com riqueza de termos científicos no livro : “A Caixa Preta de Darwin”, de autoria do professor e pesquisador americano Michael J. Behe ( tradução de Ruy Jungmann, editada pela Jorge Zahar Editora, 1997, na coleção Ciência e Cultura ).
Esse livro apresenta uma inteligente e objetiva crítica ao evolucionismo, doutrina que ainda consegue, mesmo em nossos dias, atrair adeptos apaixonados, muitas vezes levados por motivos pouco racionais. Há quem ache elegante afirmar-se como sendo originário de um primitivo avô simiesco ( existe gosto para tudo...).
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
A tradicional inocência infantil às vezes parece ter uma certa maldadezinha meio inconsciente. É nisso que me faz pensar um fato contado pelo meu falecido pai, ocorrido com ele quando era moço, no tempo em que os trens eram movimentados pela saudosa locomotiva “Maria Fumaça”, usando caldeira aquecida a carvão.
Meu pai estava viajando de trem e, no banco em frente ao seu, olhando para ele, estava um menino, de uns cinco ou seis anos. Com o balanço do vagão, veio uma sonolência e logo o adulto, que já vinha cansado de uma noite mal dormida, pegou mesmo no sono, e ficou ali dormindo sentado.
Eis que em certo instante entra voando pela janela uma pequena brasa, ainda bem vermelha, e vai cair justamente sobre a calça do meu pai. Lentamente a brasa foi queimando, queimando, até que, de repente, chegou à pele.”Seu” Rogério acordou assustado, sentindo a dor da queimadura e vendo, aborrecido, o furo na calça. No banco em frente, o menino, com um sorriso meio pateta nos lábios, disse apenas: “eu táva só olhando! “


posted by ruy at 8:50 da manhã

26.3.03

 
26/mar/03.
Creio que não seja a primeira vez que falo sobre isso; porém, como é um ponto que sempre me incomoda, peço que relevem este desabafo.
O pessoal universitário da área científico-tecnológica muitas vezes se deixa envolver de tal forma apaixonada pelos emocionantes, quase perfeitos, modelos matemáticos usados em seus estudos e pesquisas, que, infelizmente, acaba fechando os olhos e os ouvidos para outras realidades do mundo.Arte e literatura, por exemplo, são assuntos sobre os quais é raro encontrarmos, na referida área, um professor titulado com quem se possa conversar, continuamente, com a mesma descontração e entusiasmo com que se fala em futebol. Isso é melancólico já que acaba gerando, para alguns professores pelo menos, uma certa solidão no ambiente acadêmico...
Por esse motivo, é consolador quando encontramos na literatura científica, mais especificamente naquela dedicada à engenharia, livros didáticos cujos autores nos mostram que a competência alcançada em sua profissão não lhes atrofiou a sensibilidade poética. Demos alguns exemplos disso.
No prefácio de seu livro: “An Introduction to Information Theory” ( Mc-Graw Hill, 1961) , Fazlollah M. Reza cita um pequeno poema de Leon von Montenaeken:

“La vie est brève,
Un peu d’espoir,
Un peu de rêve,
Et puis- bonsoir”.

(em tradução direta: “A vida é breve, Um pouco de esperança, Um pouco de sonho, E depois: boa noite !”). O autor está querendo nos dizer que o livro que ele escreveu está muito longe de esgotar tudo o que ele ainda poderia mostrar sobre o assunto.
William L. Everitt foi um respeitadíssimo professor universitário americano.Um de seus clássicos livros é o “Communication Engineering” (McGraw Hill, 1956).Em certo trecho da obra, usando uma criativa e simpática analogia, para melhor esclarecer o leitor sobre o fenômeno da onda eletromagnética através de condutores físicos, tais como : linhas, cabos, guias de onda etc., Everitt nos apresenta estes versos:
There was a dachshund once so long
He hadn’t any notion
How long it took to notify
His tail of any emotion.

And so it was that though his eyes
Were filled with woe and sadness,
His little tail went wagging on
Because of previous gladness.”
(em prosa vernácula: “Era uma vez um cão bassê tão comprido que não tinha noção alguma de quanto tempo precisava para transmitir à sua cauda alguma emoção. E assim, embora seus olhos estivessem cheios de mágoa e tristeza, sua pequena cauda ainda balançava devido a uma alegria anterior.”). Como o autor do livro não cita o nome do poeta, fico meio desconfiado que seja ele mesmo quem escreveu o sugestivo poema.
Por último, mas não menos importante, um trecho em prosa mas nem por isso desprovido de sentido poético. Está no livro ( também clássico) do insigne pesquisador americano J.R. Pierce : “Symbols, Signals and Noise”( Harper and Brothers, 1961) e se refere a um paradoxal efeito do ruído elétrico em nossa sensibilidade acústica:
- “Mathematically, white Gaussian noise ...is the epitome of the various and uexpected.It is the least predictable, the most original of sounds. To a human being, however, all Gaussian white noise sounds alike.Its subtleties are hidden from him, and he says it is dull and monotonous.”
( “Matematicamente, o ruído branco Gaussiano...é o epítome do variado e do inesperado. É o menos previsível dos sons; para um ser humano, entretanto, todo ruído branco Gaussiano soa igual.Suas sutilezas estão ocultas para nós e o achamos insípido ( chato) e monótono.”
E aí vemos, por esses exemplos, como é possível a convivência pacífica do “esprit de géométrie” e do “esprit de finesse”, como nos recomendava Pascal. QED



posted by ruy at 12:06 da tarde

25.3.03

 
25/mar/03.
(Para os que ainda não sabiam). Meu amigo Omayr José de Moraes Júnior traduziu do latim para o português e publicou no ano passado (pela Lótus do Saber) o Comentário de Santo Tomás de Aquino sobre a oração do Pai Nosso. O trabalho de Omayr – além do mérito da tradução em si própria – tem um enorme valor porquanto o livro está repleto de notas explicativas, redigidas pelo tradutor, que são verdadeiras aulas sobre pontos teológicos, filosóficos e históricos referentes aos tópicos abordados no opúsculo do grande Doutor da Igreja.
Ora, conforme nos esclarece o Omayr no início do livro, o Comentário sobre o Pai Nosso consiste em uma série de pregações feitas pelo santo Dominicano ao povo simples de Nápoles, em uma época (século XIII) em que devia haver entre os ouvintes grande multidão de analfabetos, e quando um simples livro devia ser objeto de altíssimo luxo.Entretanto, o que ali está escrito é pura doutrina religiosa, apoiada nas Sagradas Escrituras, usando Santo Tomás uma linguagem sóbria, sem concessões a pirotecnias tão comuns em épocas posteriores.
Parabéns ao Omayr ! E que o livro seja bem divulgado !
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
E por falar em Santo Tomás de Aquino, a Co-redentora, editora sediada em Nova Friburgo, lançou uma tradução da clássica biografia do Doutor Angélico escrita por Chesterton .O tradutor é Carlos Ancêde Nougué. O email da editora:
ed.co-redentora@uol.com.br
E o endereço do correio : Caixa Postal 96582 – CEP: 28 601 – Nova Friburgo- Rio de Janeiro.
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
Faz pouco tempo, alguém, escrevendo um ensaio, afirmava que certo escritor atual talvez viesse suprir a lacuna deixada por um ilustre intelectual brasileiro falecido há cerca de trinta anos.
Bem, há lacunas e lacunas.
Um pensador brilhante, acostumado a discorrer sobre temas filosóficos e políticos pode, sem dúvida alguma, conquistar a admiração de um grande número de leitores, mormente se esse escritor evidenciar uma ótima cultura geral e firme competência nos assuntos por ele tratados. Mais ainda, se esse mesmo escritor de vez em quando inserir em seus escritos referências cordiais a certos aspectos das diferentes confissões religiosas, poderá acrescentar entre seus admiradores muitas outras pessoas, além das que se interessam pragmaticamente apenas pelo significado telúrico dos problemas abordados.
Entretanto, se um escritor, ao abordar os mesmos citados temas, deixa bem claro que sua abordagem é de fato um engajamento vital, e que ele é, sem dúvida, alguém disposto a dar um testemunho, ainda que isso provoque reações desfavoráveis até mesmo de seus irmãos de fé; se esse escritor, além de notável cultura, fina sensibilidade artística e sólida competência nas matérias por ele ensinadas , revela um amoroso apego a verdades que para ele são a própria justificativa de sua existência neste mundo – então, quando ele parte, sua lacuna só poderá ser mesmo preenchida por um outro homem semelhante a ele, em todos esses aspectos que nele estávamos acostumados a observar. Ele não era apenas admirado; era amado por seus leitores. Isso precisa ser levado em conta no preenchimento da lacuna.


posted by ruy at 9:25 da manhã

24.3.03

 
24/mar/03.
Meu amigo Alexandre Soares Silva me fez grata surpresa ao citar um trecho do Padre Manuel Bernardes, em que o grande pregador seiscentista se refere a Tomás Morus, a quem a Igreja acabou canonizando no século XX. Agradecendo a boa surpresa, tiro do meu baú este projeto de soneto:

A Santo Tomás Morus.

Saber, erudição e amor à arte
Em ti cresceram desde a mocidade,
E logo a fama veio consagrar-te
Em toda aquela antiga Cristandade.

Porém ao escolher a melhor parte,
Mas sem fugir à vida em sociedade,
De ti mesmo, fiel, quiseste dar-te
Ao serviço maior da Caridade.

Não foste seduzido nem um pouco
Pelo poder.Nem jamais se fez mouco
O teu ouvido à voz dos pequeninos.

Por fim, amando a Cristo e à Sua Igreja,
Soubeste enfrentar, dura peleja,
De um louco rei, os tristes desatinos.

(escrito no Rio, em 12 de novembro de 1991).

*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*
Amigo Omayr – ali no Viramundos continuamos esperando pelo seu prometido texto a respeito do Canto Gregoriano. Nestes dias, tão barulhentos e agitados, é preciso que alguém nos fale sobre o som da Eternidade.
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*<>*
*<>*
Certa vez, lá no Rio, ao conversar com o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo sobre o nexo entre santidade e perfeição moral, ele me lembrava o caso dramático do Bom Ladrão: a canonização mais rápida da história. Que São Dimas nos ajude, não somente protegendo-nos dos assaltantes e bandidos, mas, sobretudo, naquela horinha incômoda e inevitável pela qual todos iremos um dia passar!




posted by ruy at 1:36 da tarde

 

Powered By Blogger TM