Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





Arquivos:





Fale Comigo

3.7.06

 



O núcleo do cristianismo


Vivemos numa época em que a imagem visual tem uma perigosa onipresença. Está aí, por exemplo, a maciça cobertura da Copa do Mundo, realizada pela televisão. Quantos de nós não fomos envolvidos de modo apaixonado pelos emocionantes lances dos jogos, mormente pelos disputados pelo time brasileiro na distante Alemanha?

Esse magnetismo exercido pela imagem visual acaba por desviar-nos de um habitus que devemos ter adquirido em nossa escolaridade do primeiro e do segundo grau (supondo que tais níveis de ensino tenham sido bem administrados nas respectivas escolas), qual seja: o habitus da leitura de livros.

Em seu excelente MERE CHRISTIANISM, traduzido pela Martins Fontes sob o título CRISTIANISMO PURO E SIMPLES, o autor inglês C.S.Lewis nos lembra a importância da leitura de livros como um dos apoios à nossa permanente vocação, a de nos tornarmos alter Christus , um “outro Cristo”. E aqui chegamos ao tema que deu o título a este “post”.

Lewis, no livro citado, usando uma linguagem simples, acessível a um leitor de mediana cultura, fala sobre essa dramática vocação, tantas vezes esquecida por nós. Como escreve o então cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI, muitas vezes confundimos o cristianismo em geral, e em particular o catolicismo, com um simples conjunto de regras morais. Esquecemo-nos do mistério nuclear desse fato essencial da história humana: a Encarnação do Verbo, a descida da segunda Pessoa da Santíssima Trindade.


[Não devemos confundir habitus, que é uma virtude, com hábito, que é mera repetição mecânica].



posted by ruy at 4:05 da tarde

 

O núcleo do cristianismo


Vivemos numa época em que a imagem visual tem uma perigosa onipresença. Está aí, por exemplo, a maciça cobertura da Copa do Mundo, realizada pela televisão. Quantos de nós não fomos envolvidos de modo apaixonado pelos emocionantes lances dos jogos, mormente pelos disputados pelo time brasileiro na distante Alemanha?

Esse magnetismo exercido pela imagem visual acaba por desviar-nos de um habitus que devemos ter adquirido em nossa escolaridade do primeiro e do segundo grau (supondo que tais níveis de ensino tenham sido bem administrados nas respectivas escolas), qual seja: o habitusda leitura de livros.

Em seu excelente MERE CHRISTIANISM, traduzido pela Martins Fontes sob o título CRISTIANISMO PURO E SIMPLES, o autor inglês C.S.Lewis nos lembra a importância da leitura de livros como um dos apoios à nossa permanente vocação, a de nos tornarmos alter Christus, um “outro Cristo”. E aqui chegamos ao tema que deu o título a este “post”.

Lewis, no livro citado, usando uma linguagem simples, acessível a um leitor de mediana cultura, fala sobre essa dramática vocação, tantas vezes esquecida por nós. Como escreve o então cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI, muitas vezes confundimos o cristianismo em geral, e em particular o catolicismo, com um simples conjunto de regras morais. Esquecemo-nos do mistério nuclear desse fato essencial da história humana: a Encarnação do Verbo, a descida da segunda Pessoa da Santíssima Trindade.


[Não devemos confundir habitus, que é uma virtude, com hábito, que é mera repetição mecânica].




posted by ruy at 3:49 da tarde

21.5.06

 

Ecos Eternos


Este “post” pretende ser um forte apelo aos amigos leitores para que leiam o livro ECOS ETERNOS , do padre irlandês John O’Donohue. Diante do atordoante “barulho” das notícias nacionais e internacionais, acho que temos de parar e ler. Não ler qualquer livro, para nos distrairmos, mas ler, sobretudo, para realizar um fecundo reencontro consigo mesmo.Vou citar um pequeno trecho desse luminoso livro.

Não há palavras para as coisas mais profundas. As palavras tornam-se ineficazes quando o mistério se apresenta e a prece se desloca para o silêncio. Na cultura pós-moderna, o incessante alarido da tagarelice aniquilou a nossa familiaridade com o silêncio. Como conseqüência, estamos estressados e ansiosos.

O silêncio é uma presença fascinante. O silêncio é tímido. É paciente e nunca chama atenção sobre si mesmo. Sem a presença do silêncio, nenhuma palavra poderia ser pronunciada ou ouvida. Nossos pensamentos constantemente invocam novas palavras. Ficamos tão entretidos com as palavras que mal reparamos no silêncio, mas o silêncio está sempre ali.As melhores palavras nascem no silêncio fecundo que cuida do mistério.
(op.cit. pg.228)


Torno a dizer: o “post” de hoje pretende ser um forte apelo aos amigos leitores para que leiam o livro de O’Donohue!

[P S: em uma de suas brilhantes aulas sobre acústica, especialmente sobre a maravilhosa fisiologia do sistema auditivo humano, Gustavo Corção costumava lembrar que até mesmo a música é feita com silêncios. ]


posted by ruy at 6:18 da tarde

10.5.06

 



Sobre a Esperança , com É maiúsculo


Nestes últimos meses tenho lido, e relido, quatro excelentes livros, a saber: ECOS ETERNOS , de John O`Donohue, CRISTIANISMO PURO E SIMPLES, de C.S.Lewis, O SAL DA TERRA e REFLEXÕES SOBRE A FÉ E O MUNDO , estes dois contendo várias entrevistas dadas pelo então cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI. No “post” de hoje transcrevo um trecho do livro de C.S.Lewis, uma tradução editada em 2005 pela Martins Fontes.O referido texto faz parte do capítulo em que o grande pensador inglês escreve sobre a virtude cristã da Esperança (op.cit, pg.178).Publicado durante a segunda Guerra Mundial, CRISTIANISMO PURO E SIMPLES continua bem oportuno, conforme nosso leitor amigo poderá verificar.


A esperança é uma das virtudes teologais.Isso quer dizer que (ao contrário do que o homem moderno pensa) o anseio contínuo pelo mundo eterno não é uma forma de escapismo ou de auto-ilusão, mas uma das coisas que se espera do cristão.Não significa que se deva deixar o mundo presente tal como está.Se você estudar a história, verá que os cristãos que mais trabalharam por este mundo eram exatamente os que mais pensavam no outro mundo. Os apóstolos que desencadearam a conversão do Império Romano, os grandes homens que erigiram a Idade Média, os protestantes ingleses que aboliram o tráfico de escravos – todos deixaram sua marca sobre a Terra precisamente porque suas mentes estavam ocupadas com o Paraíso.

Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes neste aqui.Se você aspirar ao Céu, ganhará a Terra “de lambuja”; se aspirar a Terra, perderá ambos.Essa regra parece esquisita, mas pode-se observar algo semelhante em outros assuntos. A saúde é uma grande bênção, mas, no momento em que fazemos dela um dos nossos principais objetivos, nos tornamos hipocondríacos e passamos a imaginar que há algo de errado conosco. Só nos mantemos saudáveis na medida em que queremos outras coisas além da saúde: comida, jogos, trabalho, lazer, a vida ao ar livre.

Do mesmo modo, nunca conseguiremos salvar a civilização enquanto for esse o nosso principal objetivo.Temos de aprende a querer outra coisa ainda mais do que queremos isso.



[Estas palavras - cheias de sabedoria cristã - deveriam ser lidas, sem pressa, principalmente pelo sacerdote católico que, faz poucos dias, deu a palavra, dentro de uma igreja(...), a um notório político brasileiro, sabidamente comprometido com certos senhores apaixonados pelo quimérico “mundo melhor”, prometido pelo socialismo]


posted by ruy at 2:37 da tarde

8.5.06

 




Uma oportuna lição dada pelo então cardeal Joseph Ratzinger


O texto que vou abaixo transcrever consta do livro “Reflexões sobre a fé e o mundo”, tradução editada pela QUADRANTE. Quando li pela primeira vez o referido texto tive uma enorme alegria porquanto há vários anos sonhava com o dia em que ouviria de um pastor palavras semelhantes dirigidas a nós, simples ovelhas.Peço que o amigo leitor leia essa transcrição atentamente.


A única apologética A única e verdadeira apologia do cristianismo pode reduzir-se a dois argumentos: os santos que a Igreja produziu e a arte que germinou em seu seio. O Senhor torna-se crível pela magnificência da santidade e da arte, que explodem dentro da comunidade crente, mais que pelas astutas escapatórias que a apologética elaborou para justificar os lados obscuros que abundam, infelizmente, nos acontecimentos humanos da Igreja.

Se a Igreja, portanto, deve continuar a converter, a humanizar o mundo, como pode, na sua liturgia, renunciar à beleza, que está unida de modo inseparável ao amor e, ao mesmo tempo, ao esplendor da Ressurreição? Não, os cristãos não devem contentar-se facilmente, devem continuar a fazer da sua Igreja o lar do belo, portanto, do verdadeiro, sem o que o mundo se torna o primeiro círculo do inferno[...]

Um teólogo que não ame a arte, a poesia, a música, a natureza, pode ser perigoso.Essa cegueira e surdez para o belo não é secundária, reflete-se necessariamente também na sua teologia.



[ Op. cit. , pg.214 ]


posted by ruy at 1:44 da tarde

6.5.06

 


O grande perigo na vida do homem


Faz muito tempo, mais ou menos uns quarenta anos, alguém certo dia, em tom sentencioso, me disse isto:

- Ruy, há três grandes perigos na vida de um homem: jogo, bebida e mulher!

Lembro-me que naquela ocasião, devido à diferença de idade entre mim e ele, e também devido a uma outra especial circunstancia, não quis retrucar ao meu “conselheiro”. Entretanto, lá por dentro eu dizia aos meus botões: “perigo maior é mesmo a ambição de poder.”

Hoje, depois de muitos anos vividos, e muitas experiências correlatas, creio que existe um perigo mais sutil e mais generalizado que a ambição de poder.Lembre-se que a existência da ambição de poder está sempre condicionada por um certo “status”.Esse tipo de ambicioso sabe que tem uma real possibilidade de atingir o vértice desejado. O perigo mais geral a que me refiro, vamos logo ao ponto, é o de alguém ser bem sucedido.

Um homem bem sucedido, em qualquer profissão, em qualquer atividade humana, corre o permanente risco de achar que todos os seus referenciais, suas matrizes de julgamento estão corretos.Acomodado no sucesso, ele acha que não precisa aprender mais nada.Se tiver que ler um livro será alguma obra que lhe propicie meramente uma distração, e não um texto que o faça refletir.Se fizer uma viagem, por exemplo, à Europa, não levará em sua bagagem uma inútil reverência ao passado.

Piores que esses exemplos, digamos assim, “culturais”, são as atitudes éticas assumidas, são as opiniões sobre questões morais emitidas pelo homem bem sucedido.Dificilmente ele se angustia, se arrepende, se entristece ao descobrir a enorme distância entre o seu viver diário e a perfeição a que todos fomos ordenados pelo Cristo.


posted by ruy at 4:47 da manhã

25.4.06

 


Reflexões sobre a fé e o mundo


Graças a um jovem leitor amigo, venho lendo muitas páginas do livro de Joseph Ratzinger (editado pela QUADRANTE): “Reflexões sobre a fé e o mundo”.
Entre muitas serenas e, ao mesmo tempo, firmes e lúcidas considerações, o naquele tempo cardeal Ratzinger fala corajosamente sobre a condição do seguidor do Cristo, condição essa que não deve ser essencialmente a de um moralista nem tão pouco a de um apologeta.Aquele que hoje é o nosso papa Bento XVI deixa claro, nas entrelinhas, que o fato de ser cristão é fruto de um misterioso chamado (vocação, de vocare ), de Deus.

Por favor, meus amigos, leiam esse livro, e leiam sem pressa, meditando sobre tudo o que ali está escrito.


posted by ruy at 6:58 da tarde

29.3.06

 




O núcleo do cristianismo


O cristianismo é, sem qualquer sombra de dúvida, uma realidade histórica.Até aqui há uma pacífica concordância entre gregos e troianos. Os problemas começam a surgir quando uma pessoa se interroga: “qual é a minha posição pessoal diante dessa realidade?”

Posso, por exemplo, ser um franco admirador de todas as realizações culturais inspiradas pelo cristianismo ao longo de seus vinte séculos de existência. Posso ter uma pletora de informações gerais ou até mesmo possuir firmes conhecimentos sobre a doutrina cristã. Posso ser capaz de citar de memória os grandes teólogos que, durante estes dois milênios, produziram uma imensa obra intelectual, usada em apoio à inteligência humana quando ela se interroga sobre os grandes mistérios da fé.Posso assumir corajosas atitudes públicas em defesa dos cristãos quando eles sejam perseguidos em qualquer país do mundo. Posso ser e fazer tudo isso e mais ainda, mas, apesar dessa minha posição abertamente favorável ao cristianismo, ela não é suficiente para que eu seja mesmo um cristão.

O que podemos chamar de o núcleo do cristianismo , aquilo que torna de fato alguém legítimo usuário desse adjetivo, usado pela primeira vez na distante Antioquia, é uma adesão consciente e livre a esta verdade de fé: Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado, deixou-se crucificar por amor de nós homens, morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou glorioso.

Essa adesão não torna o neo-batizado moralmente melhor que os demais homens, isto é, os não-cristãos. Torna-o, sim, investido de uma dramática responsabilidade por suas ações, incluindo aquelas só conhecidos pelo seu autor, no interior da consciência moral.Isso é muito bem explicado por C.S.Lewis em seu livro CRISTIANISMO PURO E SIMPLES (tradução do MERE CHRISTIANITY , editada no ano passado pela Martins Fontes).

O papa Bento XVI, em uma de suas audiências recentes, alertou-nos – a nós cristãos católicos – sobre esta verdade:

Existe a necessidade de uma relação pessoal com Jesus para a evangelização, que não consiste em anunciar uma idéia, mas em dar testemunho de uma pessoa. [ 22 Mar. 06 (ACI) ]

Pois é, amigo Ruy, ponha as barbas de molho e reflita seriamente sobre estas palavras do bispo de Roma. Depois responda : "Quem é Jesus Cristo para mim?"


posted by ruy at 2:37 da tarde

 

Powered By Blogger TM